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“PARA QUE TUDO PERMANEÇA COMO É, É NECESSÁRIO QUE TUDO MUDE”: O NIILISMO DE O LEOPARDO DE LAMPEDUSA E O NIILISMO CRISTÃO KIERKEGAARDIANO NO SÉCULO DAS MUDANÇAS

Marcio Gimenes de Paula

Autor
Marcio Gimenes de Paula
Revista
PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
Edição
7 / 14
Ano
2017
DOI
10.26694/pensando.v7i14.4458
Páginas
234-246
Idioma
pt
2017Marcio Gimenes de Paula. “PARA QUE TUDO PERMANEÇA COMO É, É NECESSÁRIO QUE TUDO MUDE”: O NIILISMO DE O LEOPARDO DE LAMPEDUSA E O NIILISMO CRISTÃO KIERKEGAARDIANO NO SÉCULO DAS MUDANÇAS. PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA, v. 7, n. 14, p. 234-246, 2017.2

Não parece haver, ao menos num primeiro olhar, qualquer ponto de convergência entre a literatura de Lampedusa e a filosofia de Kierkegaard. Contudo, com um pouco mais de investigação, tal percepção revela-se falsa. Ambos os autores se situam no século XIX e, nesse sentido, há forte conexão entre ambos a partir de uma análise histórica, filosófica e política. É verdade que o italiano escreve no século XX, mas o faz descrevendo o século anterior, período onde o dinamarquês produziu a sua obra. O autor siciliano aborda em sua literatura um dos temas mais instigantes do século XIX, a saber, a descrença em mudanças políticas. Segundo avaliamos, tal concepção possui afinidades com um certo niilismo cristão presente na obra kierkegaardiana.  Desse modo, nosso intuito é observar como os dois autores, mesmo não se conhecendo, foram capazes de construir ligações significativas entre o sul da Itália e o mundo nórdico e, assim, numa visão panorâmica desses séculos, parecem muito mais próximos do que se poderia a princípio imaginar. Para tanto, dividiremos nosso artigo do seguinte modo: num primeiro momento, abordaremos aspectos da obra O Leopardo de Lampedusa e suas possíveis conexões com o pensamento kierkegaardiano. Na sequência, apresentaremos uma análise do tema do niilismo a partir da interpretação da obra de Karl Löwith. Por fim, concluiremos com uma aproximação entre os dois niilismos: o de Lampedusa e o de Kierkegaard.