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Petrarca e a 'imitatio' renascentista

Anna Maria Wasyl, Cristiane Maria Rebello Nascimento

Autor
Anna Maria Wasyl, Cristiane Maria Rebello Nascimento
Revista
Revista Limiar
Edição
6 / 11
Ano
2019
DOI
10.34024/limiar.2019.v6.9916
Páginas
97-110
Idioma
pt
2019Anna Maria Wasyl, Cristiane Maria Rebello Nascimento. Petrarca e a 'imitatio' renascentista. Revista Limiar, v. 6, n. 11, p. 97-110, 2019.2

Embora Petrarca quisesse se igualar a seus antigos predecessores em seus poemas latinos e tenha alcançado grande reconhecimento entre seus contemporâneos, a crítica literária tardia viu nesses escritos uma artificialidade linguística e uma erudição ostentatória. Os estudos atuais, contudo, enfatizam que este segmento particular das obras de Petrarca requer um olhar mais atento, do ponto de vista teorético e estético-literário, que foque especificamente na abordagem do autor em relação à questão da imitação, vendo na regra da imitatio antiquorum constitui o núcleo da sua reflexão meta-literária e historiosófica. Na poesia latina, Petrarca explora os modelos antigos canônicos, notavelmente Virgílio e Horácio. Porém, em seu opus magnum, Africa, o autor revela uma diversidade estilística e composicional: a Aeneid, de Virgílio, a épica imperial e tardo antiga, a prosa historiográfica e os comentários. A leitura e apropriação dos clássicos por Petrarca exclui, assim, uma imitação rígida de um único modelo, optando por uma inspiração de múltiplas fontes, em termo de conteúdo, composição e estilo.