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PODE UM ANIMAL TRANSITAR AS SENDAS QUE SE BIFURCAM? OU SOBRE DELEUZE LEITOR DE BORGES

Eladio C. P. Craia

Autor
Eladio C. P. Craia
Revista
Revista de Filosofia Aurora
Edição
16 / 19
Ano
2004
DOI
10.7213/rfa.v16i19.1018
Páginas
27-41
Idioma
pt
2004Eladio C. P. Craia. PODE UM ANIMAL TRANSITAR AS SENDAS QUE SE BIFURCAM? OU SOBRE DELEUZE LEITOR DE BORGES. Revista de Filosofia Aurora, v. 16, n. 19, p. 27-41, 2004.1

Há dois importantes momentos na leitura que Gilles Deleuze propõeem relação à obra de Borges; estes momentos são, ao mesmo tempo,singulares e opostos. O primeiro momento encontra-se no textoDiferença e Repetição, no centro do capítulo “A repetição para si”; osegundo momento surge na obra Mil Platôs, no platô intitulado “Devirintenso, devir animal, devir imperceptível”. Em DR, Deleuze reivindicaa Borges como um dos autores centrais para melhor compreender oconceito de “repetição” segundo é pensado pelo próprio Deleuze; já notexto MP, a perspectiva deleuziana muda, dando lugar ao aparecimentode uma crítica pontual e lapidar. A denúncia deleuziana aponta àsuposta incapacidade de Borges para pensar, suficientemente, o devir.Na sua reivindicação da obra borgiana, Deleuze indica os textos “Laloteria en Babilônia” e “El jardín de los senderos que se bifurcan”; nasua crítica lembra os livros Historia Universal de la infámia e Manualde zoologia fantástica. Aquilo que parece estar no centro da dinâmica deste deslocamento de Deleuze pode ser resumido na seguinte questão: que tipo de repetição pode ser produzida, tanto no pensar, quanto no poetizar? Na sua redescoberta do devir em MP, Deleuze exige que inclusive a própria repetição pura baseada na diferença se reconheça nele. Sem dúvida Deleuze reconhece no autor argentino o primado do acaso e, portanto, da diferença no seio de qualquer repetição, ora, por outro lado, parece lamentar que esta repetição não possa, no horizonte borgiano, atingir o status do devir. Assim, o presente trabalho tem como objetivo expor as características deste deslocamento de perspectiva deleuziano, bem como a relação deste movimento com a natureza da repetição que Borges proporia nos textos citados.