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Política e Educação em Paulo Freire: As ameaças à democracia no falseamento de verdades

Fábio Abreu Passos

Autor
Fábio Abreu Passos
Revista
PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
Edição
15 / 35
Ano
2024
DOI
10.26694/pensando.vol15i35.5379
Páginas
34-42
Idioma
pt
2024Fábio Abreu Passos. Política e Educação em Paulo Freire: As ameaças à democracia no falseamento de verdades. PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA, v. 15, n. 35, p. 34-42, 2024.2

O ofício de filosofar é, em certa medida, emitir juízos de valor que sejam capazes de tencionar fenômenos que transcorrem no interior do mundo comum. A base de sustentação de tais juízos é, em princípio, reflexões críticas e aprofundadas. Para que o dever de criticar – e externalizar essa crítica em forma de juízos – seja exercido com “honestidade”, é preciso, prioritariamente, não falsear a realidade sobre a qual se volta nossa criticidade. Se, como assevera Paulo Freire, a crítica é um dever que ajuda a estabilizar os alicerces da democracia, esta crítica não pode ser construída a partir de uma imagem inverosímil de “alguém” ou de “alguma coisa”, pois, dessa forma, estaríamos contribuindo para que a democracia fosse atacada em suas bases constitutivas. É dessa forma que voltar-se para o dia 31 de março de 1964 como um ato “revolucionário”, que salvou o Brasil de uma ameaça comunista, é uma forma cabal de “criticar” a realidade a partir de um falseamento da mesma. O objetivo do presente artigo é refletir acerca da contribuição das reflexões de Paulo Freire para a edificação de uma autêntica e salutar relação entre política e educação, ao mesmo tempo em que procurarei me voltar reflexivamente para as ameaças que incidem sobre a democracia quando se realiza um falseamento de verdades. Para tanto, utilizarei como aporte teórico prioritário o ensaio de Paulo Freire “Do direito de criticar – Do dever de não mentir ao criticar”, copilado na obra Política e Educação: ensaios.