POLÍTICA E ESTÉTICA EM NIETZSCHE: DA CRÍTICA À MODERNIDADE POLÍTICA À RECONFIGURAÇÃO ESTÉTICA DA EXISTÊNCIA
Dalila Miranda Menezes
- Autor
- Dalila Miranda Menezes
- Revista
- Saberes: Revista interdisciplinar de Filosofia e Educação
- Edição
- esp
- Ano
- 2015
- Idioma
- pt
Nietzsche não elaborou um sistema político aos moldes tradicionais da filosofia política antiga ou moderna, mas é possível encontrar em suas considerações sobre a modernidade, uma crítica radical à realidade política de sua época. Consideramos que um dos aspectos mais vivazes e marcantes no manancial de diretrizes críticas que Nietzsche disseminou no interior de sua produção intelectual reside na absoluta intolerância à tentativa de uniformização e nivelamento da vida humana. Para o autor de Assim Falou Zaratustra, a vida havia assimilado uma configuração rebaixada e aviltante, desprezando as múltiplas possibilidades afirmativas e criativas que manifestariam uma pluralidade pulsante, envolvente, desafiadora e inquieta, para adormecer nos braços de uma postura perigosamente decadente, cuja representação historicamente personificada remetia ao modo declinante da sociedade civil burguesa configurada a partir da modernidade. Para Nietzsche se faz necessário redesenhar os fios da própria individualidade e enfrentar os seguintes desafios: como poderíamos construir artisticamente a existência? Como poderíamos enaltecê-la pelo cuidado de si com o mesmo impulso vivaz de uma construção estética? A proposta nietzscheana é que o homem crie a si mesmo como uma obra de arte, transformando a própria experiência existencial em objeto artístico.Redesenhando artisticamente o homem moderno, suas escolhas pueris, seus afetos banais, sua maneira uniforme de se relacionar com as cercanias embotadas de um mundo desfigurado, Nietzsche propõe a condução da individualidade pela via de um embelezamento que substancialize a vida e lhe confira sentido elevado.
