- Autor
- Rafaela Alves Fernandes
- Revista
- PÓLEMOS – Revista de Estudantes de Filosofia da Universidade de Brasília
- Edição
- 11 / 22
- Ano
- 2022
- DOI
- 10.26512/pl.v11i22.42242
- Páginas
- 131 - 159
- Idioma
- pt
Enquanto as práticas memoriais e os estudos da memória são acusados por seus excessos em determinados contextos nacionais, é preciso encontrar outros modelos teóricos para compreender a posição que o Brasil ocupa no âmbito das políticas da memória na contemporaneidade. A este respeito, partiremos de duas premissas básicas: se existem excessos e abusos no panorama brasileiro, estes dificilmente recaem sobre a memória, mas antes sobre o esquecimento; e, ao invés de uma política da memória, talvez o mais apropriado seja falar em termos de “políticas do esquecimento” para a análise dos silêncios socialmente fundados ou institucionalizados, assim como do abandono e encobrimento de certas narrativas. A hipótese é de que os “abusos do esquecimento” são tematizados nesse cenário hoje, principalmente, por artistas que buscam seguir os rastros do que foi apagado da história oficial, desarquivando memórias impedidas e esquecimentos convenientes ao estabelecimento de falsos consensos que não significam paz social e muito menos justiça.
