POR UMA JUSTIÇA COM AMOR: RICOEUR E OS MEIOS CONSENSUAIS ENTRE A EQUIVALÊNCIA E A SUPERABUNDÂNCIA
Bruno Takahashi, Giulia Yumi Zaneti Simokomaki
- Autor
- Bruno Takahashi, Giulia Yumi Zaneti Simokomaki
- Revista
- Revista Ideação
- Edição
- 1 / 46
- Ano
- 2022
- DOI
- 10.13102/ideac.v1i46.7870
- Páginas
- 279-291
- Idioma
- pt
O artigo defende que a tensão dialética entre justiça e amor proposta por Paul Ricoeur contribui para a análise das lógicas subjacentes à justiça tradicional, de um lado, e à justiça conciliativa, de outro. Argumenta-se que a primeira, caracterizada pela decisão imposta por um terceiro (árbitro ou juiz), aproxima-se da lógica da equivalência (“dar a cada um o que é seu” ou a Regra de Ouro). Já a justiça conciliativa, na qual a decisão é consensualmente tomada pelas próprias partes em conflito (como na negociação, mediação ou conciliação), valoriza-se a lógica da superabundância (“amar os inimigos”). Dessa forma, alega-se que o reconhecimento da tensão dialética entre amor e justiça que perpassa os mecanismos de tratamento de conflitos permite identificar suas peculiaridades e, assim, proporcionar uma solução mais adequada dos casos.
