Sobre o populismo em Ernesto Laclau e Nadia Urbinati: lógica da política ou desfiguração da democracia?
Francisco de Assis Silva
- Autor
- Francisco de Assis Silva
- Revista
- Griot : Revista de Filosofia
- Edição
- 23 / 2
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.31977/grirfi.v23i2.3272
- Páginas
- 99-114
- Idioma
- pt
O populismo contemporâneo tem suscitado profícuos debates entre os teóricos políticos, tais como Ernesto Laclau, com a sua teoria do discurso atrelada à psicanálise, defendendo a ideia de que o populismo representa a lógica da política; e Nadia Urbinati, que compreende o populismo como a desfiguração da democracia. O desdobramento deste embate de ideias levará à análise de uma figura importante para o populismo: o líder populista. Se para Laclau a noção de significante vazio expressa o sujeito coletivo na figura do líder, resultado da lógica da equivalência e da diferença entre as diversas demandas sociais, para Urbinati o líder populista utiliza o regime democrático para atingir fins antidemocráticos, aviltando a parte da população que dele diverge. Pretende-se neste artigo analisar ambas as concepções e, a partir do confronto destas perspectivas sobre o populismo, apresentar uma hipótese de base psicanalítica sobre o que conduz os indivíduos a apoiarem uma representação política autoritária.
