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Soul, death and immortality

Giovanni Casertano

Autor
Giovanni Casertano
Revista
Revista Archai
Ano
2016
DOI
10.14195/1984-249X_17_6
Páginas
137
Idioma
pt
2016Giovanni Casertano. Soul, death and immortality. Revista Archai, p. 137, 2016.1

Os diálogos de Platão são grandes representações teatrais. Representações em que se põe em cena sobretudo algo que nenhum dos tragediógrafos ou dos comediógrafos gregos se atrevera a tratar antes de Platão: a filosofia. Cada diálogo é, por conseguinte, uma obra teatral que trata um tema, ou muitos temas, da filosofia, aquela “filosofia” que precisamente com Platão recebeu a sua primeira e poderosa conotação. O Fédon foi, como é natural, interpretado das mais variadas formas. O que acontece é que, no Fédon, há, sim, a perspetiva das ideias contraposta à de um puro e simples empirismo; há, sim, a proclamação da imortalidade da alma; há, sim,  incongruências lógicas e argumentativas: mas para alcançar o sentido disto tudo é preciso abandonar precisamente a pretensão de encontrar no Fédon um tratado de filosofia. É mister lê-lo, então, como uma obra teatral que põe em cena uma situação singular ”“ o último dia da vida de Sócrates ”“ com personagens singulares que discutem a filosofia, do que para eles é a filosofia. E discutem ”“ é realmente isto que Platão põe em cena ”“ com toda a complexidade dos sentimentos que às vezes experimentam: prazer e dor, lágrimas, sorrisos e gargalhadas, queixumes e comoção. Neste último dia, na cela de Sócrates representa-se em síntese toda a vida desses homens.