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TEXTO E CONTEXTO: A DUPLA LÓGICA DO DISCURSO FILOSÓFICO

Marilena de Souza Chaui

Autor
Marilena de Souza Chaui
Revista
Cadernos Espinosanos
Edição
37
Ano
2017
DOI
10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2017.139500
Páginas
15-31
Idioma
pt-BR
2017Marilena de Souza Chaui. TEXTO E CONTEXTO: A DUPLA LÓGICA DO DISCURSO FILOSÓFICO. Cadernos Espinosanos, n. 37, p. 15-31, 2017.2

A pesquisa em história da filosofia visa compreender de onde o filósofo fala, a quem se dirige, contra quem escreve, por que decidiu escrever e os efeitos de sua escrita, unificando texto e contexto. Por isso, se distingue da leitura rigorosa que caracteriza o procedimento estrutural. Inaugurada como disciplina filosófica por Hegel, a história da filosofia foi interpretada de maneiras diferentes pela posição relativista, pela posição estrutural francesa (iniciada por Brèhier, Guéroult e Goldshmidt) e por Merleau-Ponty. Este propõe a noção de “impensado” das obras de pensamento, como o excesso da obra, aquilo que dá a pensar e mantém a obra aberta. É esse impensado que nos abre a possibilidade de interrogar nosso próprio presente. Claude Lefort, aluno de Merleau-Ponty, vê como um enigma da obra de pensamento a possibilidade de suscitar discursos. E conclui que se escrever e interpretar são o mesmo, ler e interpretar também são o mesmo.