- Autor
- Luiz Roberto Monzani
- Revista
- Revista de Filosofia Aurora
- Edição
- 23 / 33
- Ano
- 2011
- DOI
- 10.7213/rfa.v23i33.871
- Páginas
- 243-255
- Idioma
- pt
Instrumentalizando o mito da horda primitiva apresentado por Freud em Totem e tabu, recebemos uma explicação do que seria a origem da civilização tal como a conhecemos a partirde um ato fundador. Este é um crime coletivo (concebido como ato real) do qual a civilização é fruto e do qual derivam todas suas características como neurose, incesto e agressividade, mas também seus contrários, de modo que é exposta a história do próprio psiquismo e de seu acesso à cultura. Com isso, Freud responde afirmativamente à simples pergunta: deve-se incluir o sujeito no processo coletivo? Assim, articula a psicologia individual e a psicologiacoletiva, problematizando-as, sustentando o processo de trânsito da natureza à cultura, da individualidade natural à comunidade cultural, sendo que, em princípio, não haveria anterioridade de uma psicologia sobre a outra, senão simultaneidade. Por consequência, conclui-se que o problema, portanto, é invertido: não se trata da consciência moral levar à renúncia pulsional, mas, o contrário: a renúncia pulsional é que cria a consciência moral.
