- Autor
- Homero Santiago
- Revista
- Cadernos Espinosanos
- Edição
- 30
- Ano
- 2014
- DOI
- 10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2014.83773
- Páginas
- 24-48
- Idioma
- pt-BR
Com o conceito de “multidão”, o filósofo italiano Antonio Negri quer designar o surgimento de um novo sujeito coletivo capaz de fazer frente ao domínio capitalista tal como tomou forma no mundo contemporâneo, o que ele nomeia “Império”. Daí a centralidade da multidão na trilogia que Negri publicou nos últimos anos com Michael Hardt: Império, Multidão, Commonwealth. Uma peculiaridade do conceito, reiterada por Negri, é consistir num “conceito de classe”. O que isso quer dizer? Nosso propósito é, partindo dessa indicação, retomar o fio do surgimento da “multidão” nos textos negrianos da década de 70, mostrar como o conceito é tomado a Espinosa (Negri sempre o dá como um conceito “espinosano”) e por fim, com base no percurso, entender esse aspecto “classista” da multidão negriana e espinosana. Com efeito, a partir de Espinosa o que Negri descobre é uma nova forma de pensar a classe explorada pelo capital; com o conceito de multidão ele consegue formular um conceito não empírico de classe, o único que, ao seu ver, daria conta de designar, hoje, a classe que pode enfrentar o Império.
