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Um díptico da inanição: ascese e estética da existência em Franz Kafka e Han Kang

Ana Lúcia Teixeira

Autor
Ana Lúcia Teixeira
Revista
Revista Limiar
Ano
2024
DOI
10.34024/limiar.2024.v11.19879
Páginas
72-92
Idioma
pt
2024Ana Lúcia Teixeira. Um díptico da inanição: ascese e estética da existência em Franz Kafka e Han Kang. Revista Limiar, p. 72-92, 2024.1

Neste artigo, revisitarei um tema clássico da sociologia, a relação entre indivíduo e sociedade, a partir da análise combinada de dois textos: “Um artista da fome” (1922), de Franz Kafka, e A vegetariana (2007), de Han Kang. O propósito é aproximar os textos, resguardando suas especificidades, para, a partir da recusa do alimento, testar a hipótese de uma condução ética da vida que produz, como contrapartida, a solvência do estatuto de ser social por parte desses agentes. Em ambos os textos, a escolha pela inanição exprimiria uma cisão entre o sujeito e o mundo que resulta do processo de afrouxamento das relações sociais mais amplas que encontra na aceitação da própria morte seu desfecho natural. Nas duas narrativas, a conduta que leva ao colapso da relação do indivíduo com seu entorno não só se edifica sobre um ethos como também é recoberta de uma sofisticada elaboração estética.