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Uma Visão Medicinal-Recreativo-Sacramental da Cannabis: para Além da Tricotomia Epistemológica e em Defesa da Saúde Holística

Jan Clefferson Costa de Freitas, Geovane de Sousa Almeida, Diego Marcos Barros de Castro

Autor
Jan Clefferson Costa de Freitas, Geovane de Sousa Almeida, Diego Marcos Barros de Castro
Revista
Polymatheia - Revista de Filosofia
Edição
16 / 2
Ano
2023
Páginas
233-255
Idioma
pt
2023Jan Clefferson Costa de Freitas, Geovane de Sousa Almeida, Diego Marcos Barros de Castro. Uma Visão Medicinal-Recreativo-Sacramental da Cannabis: para Além da Tricotomia Epistemológica e em Defesa da Saúde Holística . Polymatheia - Revista de Filosofia, v. 16, n. 2, p. 233-255, 2023.2

Desde o início do segundo milênio, o movimento social antiproibicionista brasileiro enfrenta um problema caracterizado pela divisão que se faz entre as formas de uso da Cannabis; uma problemática provocada em grande medida por um posicionamento predominante no século XIX, que tem os seus desdobramentos repercutidos no século XXI, em especial nos discursos e narrativas provindas do senso comum, sem o lastreio do conhecimento científico. As pesquisas científicas contemporâneas comprovam os efeitos benéficos da maconha para o tratamento de diversos tipos de patologias. Entretanto, a hipervalorização destas benesses terapêuticas acabaram por promover um paradigma ultrapassado do ponto de vista epistemológico, uma distinção que supervaloriza o usuário medicinal em detrimento do recreativo e sacramental. O objetivo deste artigo consiste em demonstrar, por meio de uma análise da epistemologia social, os prejuízos antropológicos, culturais, filosóficos, geográficos, históricos, psicológicos, sociológicos e até mesmo terapêuticos desta tricotomia, ou, como se apresenta hoje para a opinião pública, as desastrosas consequências desta divisão cirúrgica que separa o uso medicinal dos usos lúdicos e ritualísticos da Cannabis. A partir da definição de saúde estabelecida como consenso pela OMS, isto é, o bem-estar físico-mental-social, tanto as atividades ritualísticas quanto as lúdicas promovem a homeostase do corpo, da mente e da civilização. Dessa maneira, a conclusão que se pretende apresentar é de que o uso recreativo e ritual da Cannabis pode ser compreendido também como medicinal. Para entender melhor o argumento em desenvoltura, a tessitura vai ter início com um levantamento artístico, científico, filosófico e místico do uso de substâncias psicoativas para despertar a criatividade e expandir a consciência. Por fim, além de estabelecer uma conexão entre as variedades de uso da maconha, os serviços de prevenção para usuários e as políticas de redução de danos serão posicionados entre novos paradigmas políticos e éticos: para que seja justificada pelos autores do presente artigo, a importância da equivalência entre os aspectos recreativos, medicinais e ritualísticos da Cannabis.