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“USO POLÉMICO DA RAZÃO”, OU “PAZ PERPÉTUA EM FILOSOFIA”? SOBRE O PENSAMENTO ANTINÓMICO E O PRINCÍPIO DE ANTAGONISMO EM KANT

Leonel Ribeiro dos SANTOS

Autor
Leonel Ribeiro dos SANTOS
Revista
Trans/Form/Ação
Edição
37
Ano
2015
DOI
10.1590/S0101-3173201400ne00007
Idioma
pt
2015Leonel Ribeiro dos SANTOS. “USO POLÉMICO DA RAZÃO”, OU “PAZ PERPÉTUA EM FILOSOFIA”? SOBRE O PENSAMENTO ANTINÓMICO E O PRINCÍPIO DE ANTAGONISMO EM KANT. Trans/Form/Ação, v. 37, 2015.1

Fazendo a leitura cruzada de um tardio ensaio de Kant – Anúncio da próxima assinatura de um tratado para a paz perpétua em filosofia (1796) – e da segunda secção do primeiro capítulo da Teoria Transcendental do Método da Crítica da Razão Pura, que leva o título “Disciplina da razão pura em relação ao seu uso polémico”, tenta-se identificar e compreender a aparente contradição doprograma da crítica kantiana da razão, o qual, se, por um lado, se anuncia com a intenção de resolver os intermináveis conflitos que têm lugar na arena da razão pura, superando o escândalo das aparentes contradições da razão consigo mesma e estabelecendo, enfim, a “paz perpétua em filosofia”, por outro,conduz-se mediante um procedimento dialéctico inspirado na retórica judicial, fazendo apelo a um “uso polémico da razão pura”, como sendo a forma mais adequada e, na verdade, segundo o filósofo crítico, a única disponível, para neutralizar, seja as pretensões do dogmatismo, seja as do cepticismo a propósito das questões metafísicas. Ao mesmo tempo que a nossa reflexão nos leva a caracterizar a pax philosophica kantiana e as pressupostas homologias entre a solução dos conflitos políticos e a dos conflitos especulativos, chega-se por ela também a reconhecer que toda a filosofia kantiana está originariamente determinada por uma concepção agónica da vida, da sociedade humana, do cosmos, da própria razão.