Voltar para Artigos
Artigos

VARIAÇÕES SOBRE O ESTADO SUICIDÁRIO: três possíveis intepretações acerca do modo destrutivo de operar do fascismo

Ronaldo Pelli

Autor
Ronaldo Pelli
Revista
PÓLEMOS – Revista de Estudantes de Filosofia da Universidade de Brasília
Edição
12 / 25
Ano
2023
DOI
10.26512/pl.v12i25.48512
Páginas
121 - 144
Idioma
pt
2023Ronaldo Pelli. VARIAÇÕES SOBRE O ESTADO SUICIDÁRIO: três possíveis intepretações acerca do modo destrutivo de operar do fascismo. PÓLEMOS – Revista de Estudantes de Filosofia da Universidade de Brasília, v. 12, n. 25, p. 121 - 144, 2023.1

Quando Paul Virilio cunhou a expressão Estado suicidário na década de 1970, o termo foi logo utilizado por outros pensadores, como Foucault, Deleuze e Guattari, para se referir ao nazifascismo. A intenção era mostrar que o modo de operar de tal projeto político era diferente de outros regimes totalitários por conta de uma força de destruição intrínseca que acabava por, ao fim do processo, atingir a própria nação que o projetou. Para defender esse ponto, este artigo começa mostrando um pouco da epidemia de suicídios que assolou a Alemanha ao fim da Segunda Guerra Mundial e sugere a provável inspiração para a comunicação apócrifa de Hitler que Virilio alcunhou de telegrama 71 e a resumiu na frase “Se a guerra está perdida, que a nação pereça”. Em seguida, aponta três possíveis leituras para o conceito Estado suicidário: a primeira, seguindo de perto Foucault, que usou tal frase numa aula em 1976, em que abordava pela primeira vez a biopolítica. A segunda, acompanhando Deleuze e Guattari, que a utilizaram para falar sobre a força de destruição das máquinas de guerra quando elas assumem o formato Estado. E a terceira que, buscando ainda inspiração em Deleuze e Guattari, tenta demonstrar que o fascismo é a tentativa de forjar uma noção de maioria, mesmo que tal proposta seja uma impossibilidade conceitual.