VIDA, MORTE E RENASCIMENTO DO SER HUMANO: DO HUMANISMO MODERNO AO HUMANISMO COMPORTAMENTAL
José Antonio Damasio Abib, Carlos Eduardo Lopes, Carolina Laurenti
- Autor
- José Antonio Damasio Abib, Carlos Eduardo Lopes, Carolina Laurenti
- Revista
- Revista Ideação
- Edição
- 1 / 50
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.13102/ideac.v1i50.11120
- Páginas
- 471-490
- Idioma
- pt
Este ensaio revisita o debate entre humanismo moderno e anti-humanismo com o objetivo de examinar a possibilidade de estabelecimento de um novo humanismo. Apresentamos a concepção de ser humano autônomo e desnaturalizado a partir do humanismo moderno. Indicamos que a crítica anti-humanista, catalisada pelas ciências humanas, atingiu parcialmente o cerne da concepção humanista. Mas, embora o anti-humanismo denunciasse o caráter ilusório da noção de autonomia humana, ele ainda preservou a ideia de um ser humano separado da natureza, reforçando a dicotomia entre as ciências naturais e as ciências humanas. Encontramos no relacionismo multidimensional de B. F. Skinner uma possibilidade do renascimento do ser humano. O que renasce, porém, não é o ser humano do humanismo moderno, pois nesse novo humanismo o ser humano não é desnaturalizado e suas atividades reflexivas e transformadoras se constituem intersubjetivamente e não isoladamente. Além disso, esse novo humanismo procura compreender o ser humano na relação transdisciplinar (e não dicotômica) entre diferentes ciências, ressuscitando as especificidades humanas na trindade antropológica espécie-indivíduo-sociedade, que constitui um mundo natural complexo governado por ordens vitais, individuais e socioculturais. Nesse novo humanismo, a condição humana define-se pela possibilidade de prospectar e gerar culturas e indivíduos sensíveis às diferentes vidas, humanas e não humanas, do presente e do futuro.
