- Autor
- Cícero Oliveira
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 16
- Ano
- 2017
- DOI
- 10.36517/Argumentos.8.16.19145
- Idioma
- pt
No pensamento de Michel Foucault, a primeira grande aplicação do poder sobre a vida na esfera econômica, a inserção controlada e disciplinada do corpo-indivíduo nos aparelhos de produção (ou a tecnologia disciplinar do trabalho), é a própria contrapartida do biopoder, num primeiro momento, à injunção decisiva que esta esfera (a econômica) passa a exercer sobre o somático no curso da modernidade. A biopolítica da população ou da espécie humana, introduzida pelo Estado mercantilista e apurada pela arte de governar do liberalismo, vai se justapor e responder em outro plano a problemática econômico-somática do seiscentista, acolhida e replicada em certo nível pelo poder disciplinar. Procuraremos destacar que esse fenômeno identificado como a “ascensão da vida pelo poder”, a característica imbricação entre vida e política nas sociedades hodiernas, é atravessado de ponta a ponta pela protagonização política da nova “esfera econômica” no instante em que ela ultrapassa os estreitos e tradicionais limites do âmbito familiar.
