Violações de Privacidade de Ordem Zero e Tomada de Decisão Automatizada sobre Indivíduos
Bernardo Alonso
- Autor
- Bernardo Alonso
- Revista
- Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea
- Edição
- 8 / 3
- Ano
- 2021
- DOI
- 10.26512/rfmc.v8i3.34503
- Páginas
- 69-80
- Idioma
- en
Neste artigo, é apresentada a noção de violação de privacidade de ordem zero como uma prática fundadora dentro de um novo tipo de exploração humana, a saber, o colonialismo de dados: a apropriação massiva da vida social através da extração de dados, adquirindo “território” digital e recursos dos quais pode ser extraído valor econômico pelo capital (Couldry & Mejias, 2019). A princípio, alego que as violações de privacidade não dependem da natureza dos agentes envolvidos. Os robôs leem seu e-mail, e não ter pessoas envolvidas no processo não o torna menos violento. Considera-se que o fluxo de dados coletados é melhor compreendido como uma mercadoria quando os padrões de dados limpos, bem formados e significativos são respeitados. Em seguida, sugere-se que cenários como a pandemia do covid-19 sejam um caso perfeito para expandir a vigilância por meio de aplicativos de rastreamento. Empresas e governos com tendências pré-existentes ao sigilo, autoritarismo capacitado pela tecnologia, e austeridade capitalizam estratégias de desinformação. Finalmente, são feitas observações sobre o valor da criptografia e exclusão estratégica como medidas para reforçar a privacidade.
