A anterioridade do fundamento e a necessidade da finitude - os impasses na essência da filosofia a partir do pensamento de M. Heidegger
MONIQUE VIVIAN MENDES GUEDES
- Autor
- MONIQUE VIVIAN MENDES GUEDES
- Orientador(a)
- GILVAN LUIZ FOGEL
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
A Filosofia, mesmo quando temos em vista o pensamento contemporâneo, pode ser reconduzida a um desejo de legitimidade que se faz notar de vários modos, dentre os quais a recusa ao relativismo próprio à subjetividade. Assumindo o risco implicado nas generalizações, podemos definir a filosofia como a busca de uma instância legitimadora que se caracteriza por sua anterioridade radical, o fundamento. Malgrado a crítica exaustiva à definição de filosofia como busca do fundamento, sobretudo a partir do século XIX, a filosofia não foi capaz de se desembaraçar tão facilmente desta definição. E isso por duas razões: primeiro, porque não se pode escapar à necessidade de um ponto de partida para o pensamento e, assim, a filosofia sempre estará às voltas com uma anterioridade incontornável; segundo, porque para que este ponto de partida não se confunda com um mero preconceito arbitrário e relativo a uma interpretação individual - o que igualaria a filosofia à opinião - é preciso um lastro qualquer que garanta que o ponto de partida exige nossa filiação, impedindo, assim, uma adesão meramente voluntarista. Contudo, não podemos ignorar que pertence também incontornavelmente à filosofia uma reflexão sobre um ente em particular, o homem, uma vez que este ente responde pela própria possibilidade da existência do pensamento filosófico. Como falar de filosofia sem reportá-la ao homem, ao ente para o qual a filosofia interessa? Uma ambigüidade parece então se impor cada vez que nos referimos à filosofia: ela é ao mesmo tempo um conhecimento ontológico, que se caracteriza pela busca do anterior, do fundamento; e um conhecimento ôntico, que se caracteriza pela tematização do ente para quem a filosofia importa e a partir do qual ela se realiza, o homem. Como se mostra a coexistência destas exigências aparentemente contraditórias no seio da filosofia? Há, de um lado, a necessidade de responder à obrigatoriedade de um ponto de partida legítimo para o pensamento, a necessidade de uma reflexão sobre o anterior; e de outro, a necessidade de uma reflexão sobre um ente particular, posterior, caracterizado por sua finitude. Tomar um ente, o homem, como tema privilegiado não faz da filosofia um conhecimento ôntico, tal como aquele que encontramos na ciência? Por outro lado, insistir na busca do anterior não faz da filosofia um discurso excessivamente abstrato e, portanto, desprovido de interesse? É preciso avaliar a coexistência destas tendências aparentemente excludentes e extrair suas conseqüências para uma definição possível da filosofia.
