- Autor
- Sergio Train Filho
- Orientador(a)
- Yara Adario Frateschi
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
Este trabalho visa à compreensão da cidadania em John Locke. Através da análise do estado de natureza, da teoria da propriedade e do estabelecimento das condições que levam os homens à elaboração do pacto formador da sociedade civil, busco compreender os argumentos da filosofia política de Locke sob os quias estariam estabelecidas duas leituras distintas a respeito da cidadania. Uma leitura tem por base a igualdade de poder político em estado de natureza e sua manutenção quanto do estabelecimento da sociedade civil, o que acarretaria a isonomia de direitos e deveres dos cidadãos. Enquanto a outra entende que há uma diferenciação de direitos políticos entre os homens. Esta diferenciação teria por fundamento elementos de ordens distintas, como a manutenção de interesses político-econômicos e ao uso diferenciado da razão, pensada no âmbito da moral teológica lockeana. A verificação de que ambas as leituras encontram respaldo na obra do filósofo suscita a ocorrência de ambiguidades que envolvem não apenas o seu pensamento político, mas também seus intérpretes. Para compreender essa ambiguidade, utilizamos uma contextualização de autor e obra que permite dizer que há a diferenciação da cidadania, mas que ela é decorrente de um difícil projeto político de estabilização social que requer abordagens ambíguas. A idéia central dessa dissertação é, tendo por base a cidadania, estabelecer um ponto de partida para a compreensão das ambiguidades no pensamento de Locke. Um filósofo ao qual é possível atribuir ao mesmo tempo um caráter humanista cívico e individualista possessivo.
