A CONCEPÇÃO EXPRESSIVISTA DE PESSOA EM CHARLES TAYLOR: IMPLICAÇÕES ÉTICAS E POLÍTICAS
Roberto josé Lube Teles
- Autor
- Roberto josé Lube Teles
- Orientador(a)
- Cesar Augusto Ramos
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
A pesquisa tem por objetivo expor a defesa da idéia expressivista de pessoa em Charles Taylor, além das implicações éticas e políticas decorrentes dessa concepção de pessoa. O filósofo busca a fundamentação de seu ideal de pessoa tomando por base duas dimensões teóricas: uma ontológica e outra moral. Na primeira, Taylor busca compreender quais são os aspectos imprescindíveis na natureza humana. Nesse ponto, o autor destaca a natureza humana engajada pela linguagem e corpo, além de sua condição de animal auto-interpretativo (self-interpreting animals), que o lança para a defesa de um sujeito expressivista. Para Taylor, o sujeito (self) constrói sua individualidade por intermédio das interpretações de suas expressões no mundo. A interpretação avalia os valores condizentes com a própria individualidade do ser humano, e entre esses, alguns são mais valiosos que outros. Esses são os valores fortes (strong values), que marcam a identidade da pessoa. Isto expõe a marca central da modernidade: um olhar atento para si mesmo como forma de auto-esclarecimento e concepção da identidade. Na segunda dimensão, a moral, Taylor busca estruturar e criticar os valores que compõem o horizonte moral do sujeito ressaltando os seus aspectos positivos e negativos. Taylor defende que o sujeito está essencialmente relacionado com o bem. Nesse caso, o sujeito depende de suas configurações (frameworks) morais como forma de dar sentido às suas ações. Como a natureza humana é concebida de forma engajada pelo autor, os valores que dão conteúdo às ações dependem também da dimensão social de avaliação. Por isso, para Taylor, a auto-interpretação feita pelo sujeito moderno, como forma de buscar uma individualidade, é um atentar para os valores da comunidade. No terceiro ponto, referente às implicações políticas, Taylor irá estruturar o ideal de sociedade decorrente de sua concepção de pessoa. Para o autor, a autenticidade do sujeito, traduzida pela construção da identidade tomando por base os valores caros ao sujeito, é um direito que deve ser garantido pela sociedade. Esse valor se aproxima da idéia de igualdade e liberdade, pontos caros, defensáveis pelo liberalismo. No entanto, Taylor, partindo de sua concepção expressivista de pessoa, traduz esses direitos pela idéia de que a sociedade deve defender uma igual liberdade de expressão da identidade, seja de um grupo ou de um único indivíduo.
