- Autor
- ALÉXIA CRUZ BRETAS
- Orientador(a)
- OLGÁRIA CHAIN FERES MATOS
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
Emblema por excelência da história, a constelação do sonho ocupa nos textos de Walter Benjamin o mesmo lugar de destaque que, a julgar por sua correspondência, adquire em sua própria vida. Saturados de uma sobre-realidade, escritos como Haxixe e Rua de mão única, por exemplo, estão embebidos no onírico como o mata-borrão na tinta. Seja na forma de citações, relatos pessoais, formulações teóricas, anotações de viagens, excursos ou simples fragmentos, a idéia do sonho, além disso, é inseparável do teor de verdade que emerge de suas duas grandes obras: Origem do drama barroco alemão e, sobretudo, o Trabalho das passagens. Se no Trauerspiel-Buch, o sonho responde pelo fundamento ontológico da meditação principesca (século XVII); no Passagen-Werk, ele expressa a infernalidade mesma de uma forma onírica do tempo, sob o encantamento fetichista da mercadoria (séculos XIX e XX). Nos dois casos, o sonho não constitui o oposto complementar da vigília, mas antes o seu fundamento – daí a ênfase benjaminiana na urgência do despertar. Leitor e crítico, ao mesmo tempo, de Nietzsche e Aragon, o filósofo se afasta tanto do esteticismo do primeiro, quanto do Surrealismo do segundo, ao traçar o esboço do seu novo método dialético de fazer história: trazer para o registro da práxis o que, de certo modo, Freud busca dentro dos limites da psique – interpretar o sonho.
