A constituição do sujeito em Paul Ricoeur: uma proposta ética e hermenêutica
Jaqueline Stefani
- Autor
- Jaqueline Stefani
- Orientador(a)
- Luiz Rohden
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
Este trabalho gira em torno de três grandes temas da história da filosofia: o sujeito, a compreensão e a linguagem. O objetivo principal é apresentar a importância da hermenêutica na constituição do sujeito não só no tocante à interpretação do “mundo do texto”, mas também em uma proposta ética renovada na qual o si-mesmo é gerado (constantemente) pela dialética entre a identidade ipse (outro) e a identidade idem (mesmo). O sujeito ricoeuriano se diferencia do “eu”, do ego, da consciência; é o “si” reflexivo de todas as pessoas. Esse “si”, que no Cogito cartesiano é uma verdade imediata, em Ricoeur, não é um dado, mas uma tarefa, uma dupla tarefa ética e hermenêutica. O texto, a escrita, a narrativa, são lugares onde se realiza a compreensão de si, do mundo e dos outros através da desconstrução, da perda do “eu”, e de sua reconstrução em um outro nível de maturação e aprimoramento da identidade de si. Autores como Wittgenstein, Heidegger e Gadamer ocuparam lugar de destaque nesse cenário possibilitando que a filosofia de Paul Ricoeur pudesse surgir e se desenvolver. Graças a eles, correntes filosóficas importantes, tais como a pragmática e a hermenêutica, emergiram e tornaram-se centrais na contemporaneidade. Através delas pôde-se perceber a linguagem humana, em toda sua ambigüidade, não mais como um impedimento na busca da verdade e do conhecimento do mundo por um sujeito transcendental, mas como a própria condição de possibilidade do conhecimento em direção à construção da identidade de sujeitos históricos, finitos.
