A CONSTITUIÇÃO OBJETIVA DO SUJEITO MODERNO NO DIAGNÓSTICO DE MICHEL FOUCAULT: UMA DIGRESSÃO ENTRE PODER E SABER NO DISCURSO DA ARQUEGENEALOGIA
Mateus Weizenmann
- Autor
- Mateus Weizenmann
- Orientador(a)
- Robinson Santos
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS — UFPEL
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
O presente trabalho visa traçar o diagnóstico de Foucault sobre a constituição objetiva do sujeito moderno, em seu entender erigido como efeito da mútua implicação entre o poder disciplinar e os saberes antropológicos que emergem em paralelo ao discurso iluminista. A questão oferece uma visão alternativa à elucubração da verdade como tema candente, à medida que embota o estatuto do sujeito doador de sentido, núcleo central do conhecimento validado desde fins do século XVIII. Com Foucault a própria noção de verdade é substituída pela composição de discursos contingentes situados na trama histórica, que projetam o verdadeiro e o falso no terreno do conhecimento. Esta disposição é coerente a uma historiografia alheia ao modelo antropológico que pretende colocar em marcha com sua arqueologia e genealogia. No conjunto de seus escritos, a relação que estabelece entre poder e saber com a formação do sujeito se dá tanto como objetivação, quanto sob a forma da subjetivação, uma versando sobre a construção desde um ponto exterior e a outra através de uma.elaboração como prática de si. Esta pesquisa se reserva a uma digressão imanente aos conteúdos de formação que incidem exteriormente sobre o homem para constituí-lo na modernidade como sujeito, cuja forma é a do indivíduo dócil, útil e produtivo. Este caminho lhe confere o significado do sujeito como sujeitado, um autômato contraposto ao sujeito transcendental creditado à filosofia de Kant. Para a consecução deste trabalho é discutida a reposição de um tribunal da verdade que demonstra os limites traçados por Foucault aos temas antropológicos, o que imputa a consciência produtora de outrora à condição de produto. Faz-se igualmente o percurso de Foucault enquanto arqueólogo dos saberes que constituíram simultaneamente o homem como seu objeto e sujeito, e do genealogista que investiga a mecânica do poder em sua licenciosa relação com o conhecimento, para definir as condições objetivas que fabricaram o sujeito na leitura que o francês faz da modernidade. O resultado decorre da leitura da obra de Foucault, sobretudo de seus escritos entre 1961 e 1976, e dos comentadores, em especial Gilles Deleuze, Paul Veyne, Hubert Dreyfus, Paul Rabinow, Roberto Machado, César Candiotto e Jürgen Habermas.
