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Dissertações

A “Crítica da Faculdade Judicativa” no horizonte da Metafísica Tradicional. Alguns pressupostos para o estudo da “Terceira Crítica” de Kant

Luciene Maria Torino

Dissertação
Autor
Luciene Maria Torino
Orientador(a)
Fausto Castilho
Universidade
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2004
2004Luciene Maria Torino. A “Crítica da Faculdade Judicativa” no horizonte da Metafísica Tradicional. Alguns pressupostos para o estudo da “Terceira Crítica” de Kant. 2004. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, SP. Orientador(a): Fausto Castilho.2

A presente Dissertação tem como objetivo iniciar um estudo a respeito de alguns pressupostos, cuja investigação se revelou imprescindível para uma compreensão rigorosa e aprofundada da Crítica da Faculdade Judicativa (Kritik der Urteilskraft ) de Kant. É possível sustentar que, sem uma tal investigação, a Terceira Crítica se afiguraria quase que impenetrável, já que é amplamente reconhecida por apresentar enormes dificuldades para seus intérpretes, entre as quais, o caráter bastante polêmico que cerca a reunião de seus temas - a Estética e a Teleologia - numa mesma obra crítica. Diante dessas dificuldades, definiu-se que este estudo deveria consistir em iniciar uma perspectiva de interpretação da CFJ, através do esforço de delinear um problema no interior de um horizonte mais amplo, antes do que a estrita consideração do texto da obra ou mesmo dos limites da Filosofia Crítica de Kant. Sendo, pois, esse horizonte justamente a relação entre Crítica e Metafísica, a perspectiva exegética aqui orientou-se para uma interpretação segundo a qual a Terceira Crítica procuraria trazer para o âmbito da Filosofia Transcendental alguns pressupostos metafísicos que pareciam ameaçar o edifício crítico. E isto implicaria, na verdade, na retomada da discussão com uma das figuras mais tradicionalmente dogmáticas - diríamos - da Metafísica Clássica, a saber, o finalismo técnico, a causalidade final, como pressuposto inevitável para pensar e conferir uma inteligibilidade mínima a certos objetos que se apresentam como problema para Kant entre os anos de 1787 - 1790: o vivo, o organismo, a natureza como sistema segundo fins, o belo, o sublime. Assim, partindo de uma explicitação do significado do projeto crítico kantiano em sua relação com a Metafísica Tradicional, este trabalho procurou mostrar como e o quanto as significações onto-teológicas da Metafísica Clássica estão arraigadas ao modelo de finalidade técnica, pressuposto inevitável para pensar um objeto tão avesso aos limites da crítica, como o organismo vivo.