- Autor
- MARCO VINICIUS DE SIQUEIRA CORTES
- Orientador(a)
- MARCO ANTONIO VALENTIM
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ — UFPR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2013
AO ANALISAR O TEXTO DE PIERRE AUBENQUE A TRANSFORMAÇÃO CARTESIANA DA CONCEPÇÃO ARISTOTÉLICA DE SUBSTÂNCIA, DEPARAMO-NOS COM A SEGUINTE AFIRMAÇÃO QUANDO ELE COMENTA A NOÇÃO DE SUBSTÂNCIA CARTESIANA: “(...) ENCONTRA-SE AQUI A DEFINIÇÃO ARISTOTÉLICA DA OUSÍA [SUBSTÂNCIA] COMO HYPOKEÍMENON [SUBJACENTE], MAS COM A DIFERENÇA DE QUE HYPOKEÍMENON NÃO É MAIS DITO EXISTIR POR SI, MAS SOMENTE NA MEDIDA EM QUE EXISTE AO MENOS UM ATRIBUTO PARA QUALIFICÁ-LO.” HÁ A IDEIA DE QUE DESCARTES SE APROPRIA DA NOÇÃO DE SUBSTÂNCIA [OUSÍA] ARISTOTÉLICA, PORÉM ELA EXISTE COMO FUNDAMENTO DE UM ATRIBUTO, QUE PARA DESCARTES É O PENSAMENTO. HÁ AQUI UMA CONTINUIDADE, POIS CONSIDERAR O TERMO “OUSÍA” A TÍTULO DE “HYPOKEÍMENON”, EM ARISTÓTELES, SIGNIFICA, SEGUNDO A LEITURA DE SUZANNE MANSION: “(...) A ANTINOMIA DO UM E DO MÚLTIPLO QUE ARISTÓTELES QUIS RESOLVER GRAÇAS À NOÇÃO DE SUBSTÂNCIA.” OU SEJA, ELE QUIS RESOLVER COM A NOÇÃO DE SUBSTÂNCIA A PERGUNTA PELO FUNDAMENTO ÚNICO QUE COMANDA TODA A MULTIPLICIDADE, E É O QUE APARENTEMENTE DESCARTES QUER RESOLVER COM O “EGO” SUBSTANCIALIZADO. NESSE SENTIDO, PODEMOS CONSIDERAR UMA CONTINUIDADE, POIS DESCARTES AO TRANSFERIR O “CENTRO GRAVITACIONAL” (DE REFERÊNCIA) PARA O EGO, TAMBÉM O SUBSTANCIALIZA NOS TERMOS DE UMA “RES COGITANS”. AUBENQUE, AO ANALISAR A CRÍTICA QUE KANT, DIRIGIDA À NOÇÃO DE SUJEITO SUBSTANCIAL CARTESIANA, PROPÕE A SEGUINTE QUESTÃO: “COM EFEITO, POR QUE SUPOR UMA SUBSTÂNCIA ATRÁS DOS ATRIBUTOS, SE A SUBSTÂNCIA NÃO É OUTRA COISA QUE A ESSÊNCIA, ISTO É, A UNIDADE DOS ATRIBUTOS ESSENCIAIS OU, COMO DIZ DESCARTES, O ATO QUE REVELA A ESSÊNCIA?” ELE PERGUNTA POR QUE É NECESSÁRIO UM SUBSTRATO REAL QUE DÊ FUNDAMENTO AOS ATRIBUTOS, UMA VEZ QUE ESSES SÃO O PRÓPRIO “ATO QUE REVELA A ESSÊNCIA”. HÁ PARA KANT, NESSA PERGUNTA, UMA POSIÇÃO FUNDAMENTAL DE SUA FILOSOFIA, NA MEDIDA EM QUE PRETENDE LIBERAR O SUJEITO DE UMA DETERMINAÇÃO ONTOLÓGICA PRECISA. TAL LIBERAÇÃO ONTOLÓGICA É EXPRESSA POR KANT QUANDO ELE COMENTA O LUGAR DO JUÍZO “EU PENSO” NO INÍCIO DA CRÍTICA QUE DIRIGE À SUBSTANCIALIDADE DO “EU PENSANTE”, E INDICA TAL CONCEITO COMO: “PRESENTE EM TODO PENSAMENTO E INDEPENDENTE DE TODA EXPERIÊNCIA”, OU SEJA, UMA MERA CONDIÇÃO LÓGICA (E NÃO ONTOLÓGICA). ISSO LEVA A UMA NOVA POSIÇÃO SOBRE O SUJEITO QUE PODEMOS CONSIDERAR. EXAMINAR TAL VIRADA A FAVOR DE UMA NÃO-ONTOLOGIA OPERADA PELA LETRA DO TEXTO KANTIANO É CONDIÇÃO PARA ENTENDER COMO EMERGE UMA SUBJETIVIDADE NA SUA FILOSOFIA. PORÉM, A LIBERAÇÃO ONTOLÓGICA OPERADA POR KANT É NO MÍNIMO AMBÍGUA, POIS ELE PERMANECE PRESO INQUESTIONAVELMENTE À CONCEPÇÃO DE “SUBJETIVIDADE” TAL QUAL DESCARTES.
