- Autor
- EMANUEL RICARDO GERMANO NUNES
- Orientador(a)
- FRANKLIN LEOPOLDO E SILVA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
Contraponto radical ao otimismo racionalista do século XVII a epistemologia relativista de Pascal recusa a fundamentação ontológica e qualquer vínculo com a ordem metafísica, constituindo um esforço original na via de consolidação da ciência como veículo autônomo, rigoroso, mesmo que desprovido de fundamento último: a possibilidade e o estatuto da ciência num universo infinito e contingente serão os temas que, primeiramente, abordaremos. Se a dimensão conferida à incerteza reforça o partido crítico em relação ao racionalismo nascente no qual se engaja Pascal contra a corrente principal da epistemologia de seu tempo, esta mesma característica pode ser constatada em suas reflexões sobre as estruturas de poder. A """"anatomia moral"""" pascaliana detecta o convencionalismo e o vazio como a essência da ordem política: as leis são descritas como mecanismos puramente arbitrários e contingentes; o acaso é desvelado fundador da ordem social; o estado de guerra diagnosticado incontornável na atual humanidade sendo a força o único suporte verdadeiro do poder. Na presente dissertação procuraremos notar a articulação ou passagem interna entre estas duas vertentes críticas, da demolição dos fundamentos do saber à denúncia do convencionalismo do poder.
