- Autor
- João Alberto Wohlfart
- Orientador(a)
- Carlos Roberto Velho Cirne Lima
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1998
A Efetividade na Fenomenologia do Espírito de Hegel ..O trabalho tem como objetivo averiguar o conceito de efetividade tal como Hegel o desenvolve na Fenomenologia do espírito. A perspectiva da interpretação centraliza-se na hipótese de que a efetividade não é apenas uma contingência meramente exterior, mas consiste num conceito totalizador no sentido de que realiza a potencialidade da inteligibilidade intrínseca da substância. Neste sentido, a efetividade é o conceito chave que supera toda a espécie de saber enganador levando à fundamentação do autêntico saber. O saber que é formado pelo sujeito é o que une dialeticamente as experiências da consciência que encontra o seu correlato na história e na cultura do ocidente...trabalho segue a estrutura do método dialético de Hegel. Assim, no primeiro capítulo trataremos da imediaticidade da eticidade que se caracteriza por uma relação imediata entre substância e liberdade. Neste capítulo, a substância é esta pré-determinação que antecipa a liberdade do homem determinando a sua ação. No nível social, há uma lei divina representada pela família e uma lei humana representada pelo Estado ou a comunidade. A finalidade da família é gerar indivíduos para a sociedade. O conflito que se instaura entre estas duas leis é representado pelas personagens Creonte e Antígona que representam respectivamente o Estado e a família. O problema é a redução de uma lei à outra desintegrando-se a substância ética do Estado e formando indivíduos meramente formais...segundo capítulo trata da efetividade na alienação da cultura. A oposição não é mais com a natureza mas opõe o homem à cultura e espírito ao espírito. Trata-se da emergência da imediaticidade da vida e o homem passa a dominar a essência objetiva em sua totalidade. O ser em si transforma-se em substancia espiritual e a objetividade é espiritualizada pelo poder da subjetividade. O capítulo apresenta as dialéticas do Estado e a riqueza e da fé e o Iluminismo. De substancialidade ética universal, o Estado vai se transformando num fornecedor de riqueza para alguns implodindo na sua inefetividade radical. Quanto a dialética da fé e da Ilustração, esta apresenta o conflito irreconciliável entre a transcendência irredutível à razão e a subjetividade absoluta da Ilustração. O problema das duas é a negação da efetividade como a sua configuração fundamental...No último capítulo as cisões são superadas pela unificação da substância e do sujeito, ou do Eu e do Nós. Neste capítulo, a universalidade não é mais exterior mas constitui-se como determinação interna da subjetividade criadora. Neste capítulo, a efetividade da consciência é a estrutura da intersubjetividade na qual, considerando a irredutibilidade de cada indivíduo, aquela torna-se um Si na forma concreta da inteligibilidade universal. Em outras palavras, a intersubjetividade como realidade concreta assume o estatuto da autodeterminação espiritual. No que diz respeito ao saber absoluto, nele convergem todas as cisões que ocorrem ao longo do percurso da Fenomenologia do espírito sendo sistematicamente unificadas. O saber absoluto deve ser compreendido como o saber que fundamenta no conceito a seqüência de experiências históricas efetivas ou formas de cultura elevando a consciência individual à consciência efetiva universal.
