A EMERGÊNCIA E A INSURGÊNCIA DA PESSOA HUMANA NA HISTÓRIA - ENSAIO SOBRE A CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE """"DIGNIDADE HUMANA"""" NO PERSONALISMO DE EMMANUEL MOUNIER
DANIEL DA COSTA
- Autor
- DANIEL DA COSTA
- Orientador(a)
- FRANKLIN LEOPOLDO E SILVA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
O personalismo de Emmanuel Mounier, neste presente estudo, não é tomado nem como uma filosofia do sujeito, nem como uma de suas expressões, como filosofia do Eu ou filosofia da consciência; nem como uma filosofia da morte do sujeito e nem tampouco como uma filosofia do objeto. Neste estudo, o personalismo de Emmanuel Mounier vai ser interpretado como uma “filosofia da relação”. Todavia, à intuição da experiência originária como sendo, para o personalismo, o modo de ser da relação junta-se a conseqüente inscrição da afirmação da vida no cerne mesmo do movimento mais próprio da pessoa criadora em sua “luta pelo real”. Isso vai fazer com que ele perspective, por sua vez, sob o modo de ser do artefato, a maneira pela qual a pessoa se compreende e compreende o mundo. Ou seja, não somente como “uma” dimensão da experiência humana que tem servido como slogan da ideologia do trabalhismo e que recebe o seu nome como homo faber. O personalismo quer “ir mais longe”: desde a “manifestação” do Ser em suas formas mais simples até a sua expressão mais grandiosa, que é a pessoa criadora e afirmadora de.vida, e esta não somente enquanto expressão empírica, quantitativa, mas qualitativa, ou seja, como afirmação do amor, o personalismo vai dizer não somente homo artifex est, mas homo perfectibilis est e em seguida ampliará mais ainda para omnia arte facta sunt. Para o personalismo “tudo está por se fazer”, a própria pessoa e o mundo. Assim, essa tarefa é realizada em dois níveis em mútua interação: no da expressão singular, em que à pessoa cabe a execução de uma tarefa que pertence só a ela como expressão de sua especificidade na realização de sua vocação singular e única em sua luta pelo real, e no da expressão da pessoa em comunidade. Não há aqui separação, mas distinção, pois trata-se, em suma, para o personalismo, de uma mesma tarefa cujas dimensões e tratamento das problemáticas específicas implicarão o êxito ou o fracasso na realização integral da vida pessoal, quer dizer, em sua manifestação singular e em comunidade. A manifestação da pessoa singular, por sua vez, só encontrará sua realização.plena quando ela tomar parte, como elo insubstituível, na formação de uma pessoa de pessoas: a “comunidade”. Todavia para essa tarefa coletiva cada um é convocado, pois cada pessoa, em sua expressão singular, é, para o personalismo, o nó górdio que desata um mundo imprevisto de criação e de sentido o qual, por um lado, se manifesta individualmente como uma vocação pessoal que nenhuma outra singularidade poderá cumprir em seu lugar e, por outro, na vida em comunidade.
