A Escuta, a Espera e o Silêncio: um olhar sobre a """"Indigência da Modernidade"""" no Pensamento de Martin Heidegger e na Poesia de Rainer Maria Rilke
Mathias de Abreu Lima Filho
- Autor
- Mathias de Abreu Lima Filho
- Orientador(a)
- Salma Tannus Muchail
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
A intenção principal do trabalho é estabelecer uma aproximação entre o pensamento de Martin Heidegger e a poesia de Rainer Maria Rilke, no que tange ao que ambos concebem como “indigência da Modernidade” , a situação de vazio de sentido espiritual do homem contemporâneo, no pós-iluminismo e pós-revolução industrial, era de hegemonia crescente da ciência e da técnica. Entendem os autores, cada qual de modo próprio, que esta contingência na história do Ocidente, não decorre de fenômenos circunstanciais, porém da evolução civilizatória do pensamento, matriz do modo como hoje o homem pode olhar, compreender e viver sua realidade. O acabamento da Metafísica, apontado por Heidegger como o esquecimento do ser, através do poder da técnica, é o substrato histórico-filosófico que configura esse nosso atual destino. Esta dimensão historial determina para os homens uma forma própria de lidar com a vida, exclusivamente objetal e determinista, impedindo-os de considerar outros horizontes talvez mais primordiais da condição humana, como por exemplo, o amor, a morte e o próprio Aberto indeterminado da existência. Ambos os autores, retomando este destino de indigência, acenam simultaneamente para um movimento de “viravolta” , para um outro caminho que indique para o homem um outro olhar de compreensão para com a vida, gesto que pudesse nos remeter para um solo original. Eles vislumbram para o destino humano através dos temas abordados em suas obras, um saber e um dizer diferentes daqueles em vigor na nossa realidade tecno-planetária. Um saber alternativo ao conhecimento da técnica e do cálculo, que possa pensar e acolher as coisas do mundo na escuta, na espera e no silêncio, acenando para o sentido de um outro destino. E, um dizer de um pensamento que reside próximo do canto da poesia, sendo assim atento à manifestação permanente das coisas do mundo na amplitude do grande Aberto do ser.
