A espacialidade do Dasein: Um estudo sobre o parágrafo 24 de Ser e tempo
Luciano de Faria Brasil
- Autor
- Luciano de Faria Brasil
- Orientador(a)
- Zeljko Loparic
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
A dissertação tem como objetivo apresentar a abordagem do espaço e da espacialidade em Ser e Tempo, explanando a lógica de construção dos conceitos no contexto da obra e, também, desvelando a recepção que Heidegger efetuou de alguns elementos da filosofia crítica de Kant. Examina-se primeiramente a abordagem kantiana do espaço, que confronta a querela científico-filosófica de seu tempo sobre a natureza do espaço, se relacional ou absoluta. O modelo kantiano mantém elementos relacionais e a noção de espaço objetivo como idéia reguladora. Kant aloja a percepção do espaço ‘dentro’ do homem, em sua faculdade cognitiva, como forma pura da sensibilidade a priori. Após, passa-se ao estudo da incorporação que Heidegger promove em relação aos conceitos da metafísica ocidental. Em sua técnica de apropriação e releitura, há uma lógica específica, pois os conceitos ontológicos são levados para o âmbito do Dasein e do mundo prático. Por sua vez, os conceitos práticos são ontologizados. Há um deslocamento de significado, pois os conceitos são integrados na corrente na ontologia fundamental, sob o novo a priori do ser-no-mundo. Por fim, analisa-se o conceito de espaço em Ser e Tempo, passando pela apresentação do conceito de mundo. Em sua exposição sobre o espaço, Heidegger busca o terreno anterior à dicotomização, i.e., em termos kantianos, a condição de possibilidade de ambas as concepções de espaço, tanto subjetivo quanto objetivo. Como Kant, Heidegger afirma o caráter humano do espaço e o seu papel como condição de possibilidade para a experiência, mas ao contrário de Kant, Heidegger pensa o espaço a partir do elemento fundacional da reflexão de Ser e Tempo: o ser-no-mundo. Heidegger intenta escapar à dicotomia sujeito-objeto centrando o estudo na espacialidade das atividades pré-reflexivas do homem concretamente situado. Justamente porque a espacialidade deve ser pensada a partir do Dasein, ela se apresenta como um a priori, significando que o espaço está previamente presente em cada encontro com o ente disponível intramundano no mundo circundante. Nessa concepção de espaço e da espacialidade, percebe-se uma evidente influência kantiana a atravessar toda a argumentação.
