- Autor
- ANA CRISTINA SARAIVA CARNEIRO
- Orientador(a)
- ROSA MARIA DIAS
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — UERJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
presente dissertação tem como objetivo principal investigar a tematização da vida no pensamento nietzschiano a partir da especificação desse conceito e do movimento que confere à existência uma concepção de fenômeno estético. A estilização da vida proposta por Nietzsche é abordada levando-se em consideração sua postura fundamental diante do passado da filosofia, o diálogo que estabelece com pensadores da tradição, o que envolve a metafísica e o problema da sua superação. A dissertação pretende mostrar como as noções encontradas na filosofia nietzschiana e a forma de comunicá-las evidenciam uma certa prática, envolvem todo um questionamento do fazer filosófico. Em oposição à ideia de filosofia como meio de chegar ao mundo exterior, ela se apresenta, para o filósofo, como fundadora de sua própria realidade: obscura, ambígua, inacabada, como a própria vida. Ao trazer à tona a linguagem de ficção utilizada por Nietzsche, rica em aforismos e metáforas – figuras imagéticas –, o texto procura retratar a possibilidade de experimentação de formas de vida a partir de um evento pleno e real: a escritura. A literatura, então, é aproximada da filosofia nietzschiana. A partir da possibilidade vista na linguagem de ficção de ao nomear fazer da coisa nomeada sua própria realidade, estilos de vida, forças em devir, demonstra-se a preocupação do filósofo não mais de dar conta da realidade, mas de enfatizar o ato de criação. A vida transforma-se em obra de arte e auto transforma-se, na filosofia de Nietzsche. A noção de vida nietzschiana é vista reverberada no pensamento de alguns autores da contemporaneidade. Michel Foucault, Gilles Deleuze e Clarice Lispector são trazidos para atestar a expansão da vida proposta por nosso filósofo, vida como experiência estética por excelência, criação composta de instantes. Conclui-se, finalmente, que a filosofia nietzschiana não está comprometida com nenhum fundamento. Não há garantia ontológica; o que há é uma ontologia da dimensão pura do devir que contrapõe à noção metafísica de identidade a categoria estética de estilo.
