- Autor
- Leomar Antonio Montagna
- Orientador(a)
- Jamil Ibrahim Iskandar
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
O presente trabalho, A ética como elemento de harmonia social em Santo Agostinho, procura demonstrar que o amor é o sinal distintivo dos cidadãos da Cidade Celeste e o fundamento da moral tanto individual como da sociedade humana e tem por meta a busca da felicidade do homem. O amor gera a concórdia que num plano social é a base de uma sociedade justa. Dessa forma, Agostinho faz da ordem social um prolongamento da ordem moral interior, sendo que a organização dos homens em sociedade, fundamentada no amor, não tem outra finalidade senão garantir a paz ou felicidade temporal dos homens, com vista à paz eterna ou verdadeira felicidade. Esta Dissertação é composta por três capítulos. No primeiro capítulo descreve-se os caminhos da vida de Santo Agostinho, e nele, o “Homem Agostinho”, identifica-se o homem enquanto humanidade em qualquer tempo e contexto. No segundo e terceiro capítulos aborda-se os princípios da ética agostiniana e a sua dimensão social que é o amor. Estudar a ética como elemento de harmonia social em Santo Agostinho é estudar o problema do amor. Para ele, o amor está na própria natureza humana. Trata-se de um apetite natural, pressuposto pela vontade livre, que deve, iluminada pela luz natural da.razão, orientá-lo para Deus. O amor é, pois, uma atividade decorrente do próprio ser humano. O amor, neste sentido, é uma espécie de desejo. O desejo é uma tendência que inquieta o homem, fazendo-o querer possuir tudo aquilo que é distinto dele mesmo, tendo como fim último torná-lo feliz. Mas, para que o homem seja realmente feliz, é necessário que, através da virtude, ele ordene o seu amor-desejo em relação a todas as coisas e o oriente para Deus, único capaz de satisfazê-lo plenamente. No pensamento de Agostinho o amor é intrínseco ao ser do homem do qual não podemos separá-lo. E, se há um problema, este não diz respeito ao amor como tal, nem à necessidade de amar, mas unicamente à escolha do objeto a ser amado, ao valor ou intensidade que se dá ao objeto amado, pois em si ele é um bem. Dentro do princípio da ordem dos seres, o amor é o parâmetro na hierarquia de valores das coisas a serem amadas. Nesta hierarquia das coisas a serem amadas, Deus aparece em primeiro lugar: a Ele deve-se amar com todo amor. Para Agostinho a força maior da moral interior é o amor, expresso no duplo preceito da caridade: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
