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Dissertações

A ética como micropolítica: o governo de si como forma de resistência à governamentalidade em Michel Foucault.

Daniel Corteline Scherer

Dissertação
Autor
Daniel Corteline Scherer
Orientador(a)
César Candiotto
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2009
2009Daniel Corteline Scherer. A ética como micropolítica: o governo de si como forma de resistência à governamentalidade em Michel Foucault.. 2009. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ, PR. Orientador(a): César Candiotto.2

A problemática que norteou a presente pesquisa é a seguinte: “qual a forma assumida pelas resistências à governamentalidade em Michel Foucault?”. A busca de uma resposta para esta indagação nos levou a estudar o percurso feito por Foucault na virada da década de 70 para a década de 80. Partimos de uma análise das formas básicas de poder dissecadas por ele – o poder disciplinar e o biopoder – e de seu efeito específico, a normalização, isto é, a vinculação identitária do indivíduo a subjetividades pré-moldadas. Depois disso, mostramos como a analítica foucaultiana do poder (e a noção de resistência, que lhe é constitutiva) sofreu um importante enriquecimento com o surgimento da idéia de governamentalidade, ou seja, com a percepção de que, para além das relações capilares de poder (e, conseqüentemente, da capilaridade da própria resistência exercida dentro destas relações), temos, também, no corpo social, blocos maciços de mecanismos de poder - as governamentalidades -, cuja operação básica é a condução dos indivíduos para direções adrede determinadas. Com isso, a noção foucaultiana de resistência, antes confinada no estreito espaço daquela capilaridade, toma a forma - mais consistente - de uma oposição a tipos específicos de governo. Tal oposição (contraconduta ou atitude crítica), segundo Foucault, é possibilitada pelo estabelecimento prévio de um governo ético, ou seja, de um governo agonístico instituído pelo indivíduo na relação consigo mesmo. As práticas ascéticas da antiguidade grega e greco-romana, estudadas por Foucault na década de 80, deram-lhe o modelo deste governo de si e a parrhesia seu mais emblemático exemplo. O conceito-chave de governamentalidade permitiu, assim, a Foucault descobrir o necessário esteio ético da ação política, ou seja, descobrir que a instauração de uma micropolítica – nome que, neste trabalho, daremos ao governo (ético) de si, de modo a salientar sua ligação íntima com o governo (político) dos outros – é requisito inarredável da “macropolítica”. Ao percebermos isso, notamos, também, que a ação política, hoje mais do que outrora, passa pela instituição de novos modos de ser; portanto, pela criação de subjetividades.