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Dissertações

A experiência da indivisão na filosofia de Merleau-Ponty

César Gomes Bonfim Dias

Dissertação
Autor
César Gomes Bonfim Dias
Orientador(a)
Salma Tannus Muchail
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2011
2011César Gomes Bonfim Dias. A experiência da indivisão na filosofia de Merleau-Ponty. 2011. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): Salma Tannus Muchail.2

Este trabalho pretende compreender como se configura o tema da “indivisão” no pensamento de Maurice Merleau-Ponty (1908 – 1961). O termo “indivisão” aparece em sentido filosófico, entre 1958 e 1960, nos cursos ministrados no Collège de France, como indivisão corporal e mundana, isto é, do meu corpo comigo, do meu corpo com o mundo e dos corpos entre si. Merleau-Ponty afirma que nós somos uma indivisibilidade. Como o termo corpo refere-se à experiência perceptiva corporal que o sujeito tem de si mesmo, das coisas, do mundo e do outro, essa indivisão é ela, também, uma experiência, uma experiência da indivisão, como expressão nosso título. A indivisão descende da intencionalidade husserliana, aquela referente ao modo de ser da consciência como consciência de algo. Merleau-Ponty alia essa temática à Lebenswelt (mundo da vida) husserliana e estabelece suas reflexões no horizonte de uma intencionalidade operante, um modo de ser original que trabalha desde o interior, a qual viabiliza a existência da intercorporeidade e do intermundo. Esse modo de ser original identifica-se ao que chamamos de experiência da indivisão. Ela está presente ao longo de três reflexões desenvolvidas pelo filósofo, a saber, a experiência perceptiva corporal, a expressão e a reflexão acerca da carne. Na primeira, o corpo fenomenal propicia ao filósofo pensar um tipo de unidade existente “de si a si” (o sujeito como corpo) e de comunhão com o mundo, com as coisas e com os outros – um modo de indivisão fundado na corporeidade. Na terceira reflexão, pensar o sentido da expressão, sob a ótica da experiência do sujeito falante torna possível entender a operação de expressão – a operacionalidade – como ponto ou momento da indivisão. O esposamento da língua pelo sujeito falante indica uma camada de indivisão tecida de fios diacríticos e de um entrecruzamento entre os elementos que compõem essa camada. Na terceira reflexão, a carne mostra a natureza mesma da experiência de indivisão como indivisibilidade. Há indivisibilidade carnal entre o “eu” e o “mundo” (eu e as coisas, entre eu e os outros). A carne, como elemento e dimensionalidade que compõem a indivisão, é um modo de ser que se realiza pelo agenciamento de sua própria operação, possibilitando a identidade, a diferença e bem como os laços entre todas as carnes