- Autor
- Marcio Paulo Cenci
- Orientador(a)
- Miguel Spinelli
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA — UFSM
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
Esta dissertação apresenta uma reconstrução da questão da felicidade na filosofia prática de Kant. Ele visa esclarecer a felicidade enquanto questão contraposta ou paralela à moralidade. A felicidade é tratada, sobretudo na Crítica da Razão Prática (CRPr), na Fundamentação da Metafísica dos Costumes (FMC) e, inclusive, na Crítica da Razão Pura (CRP), na Antropologia do Ponto de Vista Pragmático (ANT) e na Metafísica dos Costumes (MC). Inicialmente, buscamos fazer uma distinção entre vontade e arbítrio, a fim de esclarecer o conceito de autonomia da vontade, posto que, para a fundamentação da moralidade universal é exigido que a vontade seja autônoma. Caso contrário, a lei prática será dada pelas inclinações sensíveis ou pela felicidade, a saber, heteronomia da vontade. Na seqüência, expomos o tema da felicidade, seguindo-se com a distinção precisa e meticulosa, feita por Kant, entre a felicidade e a moralidade. No último ponto, foi analisada a antinomia da razão no que diz respeito à compatibilização entre a felicidade e a moralidade. A solução crítica dessa antinomia nos levou a investigar, por um lado, se a identidade entre a moralidade e a felicidade não incorreria em erros dogmáticos; por outro lado, se o agir moral, pela sua lei, não causa, de algum modo, um tipo específico de ?satisfação? como um analogon da felicidade. Enfim, nesta dissertação analisamos porque a felicidade não presta para a fundamentação da moralidade, e também porque não pode ser excluída do agir moral como um todo, ou seja, porque ela é imprescindível para a efetividade do sumo bem.
