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Dissertações

A FINALIDADE DA ASCESE NO ESTOICISMO IMPERIAL: LEITURAS DE MICHEL FOUCAULT E PIERRE HADOT

Carlos Renato Moiteiro

Dissertação
Autor
Carlos Renato Moiteiro
Orientador(a)
César Candiotto
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2010
2010Carlos Renato Moiteiro. A FINALIDADE DA ASCESE NO ESTOICISMO IMPERIAL: LEITURAS DE MICHEL FOUCAULT E PIERRE HADOT. 2010. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ, PR. Orientador(a): César Candiotto.1

Entre as principais contribuições do estoicismo imperial para a produção filosófica posterior está a noção de ascese, nome dado aos mais variados tipos de exercícios físicos e práticas intelectuais – como as abstinências, as práticas de resistência à dor e ao frio, práticas de concentração da respiração, as meditações, os exames de consciência, os registros pessoais, a premeditação dos males futuros, a concentração no presente, entre outras – que resultariam na transformação do próprio Ser do indivíduo que a pratica em relação à verdade por ele proferida a partir da filiação a um determinado grupo ou escola filosófica. Assim, ao realizar tais exercícios, o indivíduo conformaria o seu modo de ser ao discurso filosófico professado. Mas a que se destina a ascese? Qual seria a sua finalidade? Sobre esta questão, abre-se uma controvérsia entre dois filósofos franceses da modernidade, intérpretes do estoicismo: Michel Foucault e Pierre Hadot. Segundo Foucault, estas práticas ascéticas eram destinadas a autoconstituição do sujeito na relação de si para consigo mesmo, o que se poderia chamar de autossubjetivação. Já para o helenista francês Pierre Hadot, não seria possível falar de uma subjetivação no estoicismo imperial, muito menos de um “si” do sujeito, pois suas práticas ascéticas teriam se voltado antes para a constituição de um modo de vida filosófico que, segundo ele, teria por finalidade o dépassement (transposição) do “eu” individual ao Todo cósmico que, segundo a tradição filosófica do estoicismo, identificar-se-ia com a Razão universal, ao mesmo tempo Deus e Natureza. O presente trabalho visa confrontar as leituras destes dois autores franceses sobre a ascese do estoicismo imperial com os textos dos próprios estoicos, a fim de esclarecer qual seria o télos, o fim da ascese no estoicismo imperial.