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Dissertações

A FUNDAMENTAÇÃO DA ÉTICA: APEL, HABERMAS E TUGENDHAT

MIRIAN DONAT

Dissertação
Autor
MIRIAN DONAT
Orientador(a)
Ernildo Jacob Stein
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
1999
1999MIRIAN DONAT. A FUNDAMENTAÇÃO DA ÉTICA: APEL, HABERMAS E TUGENDHAT. 1999. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Ernildo Jacob Stein.2

O mundo contemporâneo se vê confrontado com questões éticas nunca antes imaginadas, as quais se referem aos usos da tecnologia genética, aos riscos do desequilíbrio ecológico, à responsabilidade para com as gerações futuras, entre tantas outras. Estas questões não afetam apenas pequenos grupos ou comunidades, mas a humanidade enquanto totalidade, colocando em risco a própria existência do homem enquanto espécie. Esta situação torna urgente pensar uma ética numa perspectiva universalista. Porém, todo problema surge quando se pensa em como fundamentar esta ética universal numa época como a nossa, uma época em que a filosofia se vê marcada pela falta de um princípio que garanta unidade e fundamento e onde imperam o ceticismo e o relativismo, mais acentuadamente ainda no campo da ética... Diante deste contexto, nosso trabalho tem por objetivo analisar a possibilidade de uma ética universal, fundamentada racionalmente na época em que vivemos, baseando nossa análise em duas propostas, que têm sido objeto de muita pesquisa e discussão no contexto da filosofia moral contemporânea: a ética do discurso de Apel e Habermas e a moral do respeito universal e igualitária de Tugendhat. .. Contra as teorias céticas e relativistas, tanto os autores da ética do discurso quanto Tugendhat partem do princípio de que a ética tem um caráter cognitivo e que, por isso, pode ser fundamentada racionalmente e que tem um alcance universal... Pode-se dizer que as duas propostas partem de uma mesma perspectiva, quando tentam encontrar um fundamento para a ética independente do recurso a elementos da tradição ou da religião, o que desde a modernidade tem sido amplamente questionado. Além disso, as duas propostas tomam como ponto de partida as análises da linguagem moral. Apesar disso, os caminhos seguidos por cada proposta se diferenciam substancialmente, desde o próprio âmbito da linguagem que privilegiam, a pragmática para Apel e Habermas e a semântica para Tugendhat. .. A ética do discurso trabalha no sentido de encontrar um princípio último e único para a moral, fundamentado pragmático-transcendentalmente, através de reflexão sobre as condições normativas de possibilidade da argumentação, condições aceitas necessariamente, quer dizer, que não podem ser negadas sem auto-contradição performativa. Com este programa a ética do discurso tenta eliminar toda contingência no processo de fundamentação da ética, tentando eliminar também todo decisionismo em questões éticas. .. A proposta de Tugendhat, contra toda tentativa de fundamentar a moral de maneira absoluta, apresenta a noção de plausibilidade, com o que tenta mostrar que a fundamentação absoluta da moral é tanto desnecessária quanto inútil. Para Tugendhat, só o que se pode fazer na moral é mostrar qual a concepção mais plausível, o que significa apenas que está melhor fundamentada que qualquer outra concepção, mas nem por isso cai num relativismo.