A gramática da certeza em Wittgenstein: critério de medida e resultado de medições
Wagner Teles de Oliveira
- Autor
- Wagner Teles de Oliveira
- Orientador(a)
- João Carlos Salles Pires da Silva
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
A reflexão Da Certeza de Wittgenstein analisa o papel desempenhado por proposições situadas na fronteira entre a lógica e a experiência em nosso sistema de juízos empíricos. Assim, à medida que entende lingüísticos os elementos mínimos da significação, Wittgenstein forja uma concepção singular de certeza. A certeza, que atravessa nossas manipulações simbólicas, não se localizaria, por natureza, em proposições, pois tal certeza resultaria de nossa forma de agir e julgar, uma vez que nossas práticas judicativas sedimentam a necessidade característica das proposições gramaticais. Visto que envolvem essa noção de necessidade, as proposições gramaticais podem condicionar a experiência apenas em certo sentido, pois não abandonam de todo o tráfego empírico. O nosso trabalho, em grande medida, gira em torno dessa idéia, ao se constituir como uma análise da investigação de Wittgenstein em Da Certeza. Ao analisar a reflexão de Wittgenstein, tendo em vista essa idéia, tratamos de apresentar elementos a partir dos quais o livro Da Certeza possa ser lido como lugar privilegiado de reflexão a respeito das condições que tornam possível a elaboração de proposições significativas. Assinalamos a apresentação desses elementos em oposição à idéia de que se trata de um conjunto de observações destinadas a criticar Moore. Assim, a pergunta sobre o papel desempenhado por proposições gramaticais em nosso sistema de juízos empíricos é signo de que as observações de Wittgenstein, em Da Certeza, se organizam como uma reflexão sobre os limites do sentido. E é justamente tal pergunta que confere autonomia à reflexão de Wittgenstein em relação à filosofia de Moore.
