- Autor
- MARIA LUCIA SALES GYRAO
- Orientador(a)
- AQUILES CORTES GUIMARAES
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
O presente trabalho tem por finalidade estudar o pensamento de Hannah Arendt a fim de se chegar à sua concepção de Justiça. Apesar de todo o sofrimento passado na época do nazismo, Hannah Arendt não desiste de acreditar em um mundo novo, alicerçado no amor mundi, enfatizando as faculdades de pensar, de querer e de julgar, através das quais o ser humano será capaz de discernir entre o bem e o mal. Hannah Arendt chama a atenção para a função social do pensamento, principalmente do filósofo e de sua decorrente responsabilidade no mundo, pois deve estar sempre atento a qualquer manipulação dos seres humanos realizada por regimes políticos, a fim de impedi-la. Critica o silêncio dos intelectuais diante da banalidade do mal, infiltrada na sociedade alemã pelo regime nazista, o qual repudiou, tendo, em razão disto, sido perseguida, perdendo até o direito de ter direitos, a cidadania. Mostra que, na época do nazismo, o Direito tinha como expressão o Führer e sua vontade, e demonstra que a situação histórica em muito influencia as concepções do Direito e da Justiça. Contudo ressalta que a Justiça só existirá a partir da visão do homem em um mundo plural, que se desenvolve pela riqueza da condição humana através da igualdade, do respeito e da fraternidade, não tendo lugar em regimes totalitários. Afirma, por fim, que a Justiça não é resultado da penalização, da vingança em face do criminoso, mas sim meio de reverter em bem uma ação originariamente má, quando, então, haverá, em conseqüência da vivência do amor mundi entre os povos, a coexistência pacífica na humanidade.
