A Leitura Conservadora do Conceito de Religião Civil de J. J. Rousseau por Thales de Azevedo.
Genildo Ferreira da Silva
- Autor
- Genildo Ferreira da Silva
- Orientador(a)
- Roberto Romano da Silva
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1998
Esta dissertação trata da concepção de religião de Jean-Jacques Rousseau, mais especificamente do seu conceito de Religião Civil e do modo como esse conceito é recepcionado num vasto ambiente intelectual católico e conservador. Para tanto, foi dada especial atenção a alguns intérpretes e críticos de Rousseau, principalmente, à leitura de um intelectual brasileiro, o antropólogo Thales de Azevedo. A primeira parte, trata dos elementos constitutivos da teoria rousseaniana da """"religião civil"""". Nela partimos de uma discussão sobre o sentido do tema da religião em Rousseau no horizonte do iluminismo, quando nos dedicamos ao problema do gênero de crença e da obediência religiosa envolvendo liberdade religiosa e civil, passando, em seguida, a uma análise do oitavo capítulo do quarto livro do Contrato Social, """"Religião Civil"""". Na segunda parte, tratamos daquilo que nomeamos de """"Paradigma da recepção conservadora do conceito de religião civil de Rousseau"""". Com essa seção busca-se destacar a relevância da obra desse grande autor e a sua atitude de crítica em relação às instituições religiosas e a própria """"profissão de fé"""", que são na realidade partes de um projeto pedagógico para o seu Estado, considerando que a presença do Estado se estende também à religião, além das relações comerciais e júridicas. Examinamos algumas interpretações """"conservadoras"""" deste legado de Rousseau. Assim, esta seção busca um paradigma desta reação e de suas consequências, não só contra Rousseau, eleito como representante maior do Iluminismo. Aqui, há uma referência principalmente às obras de Joseph de Maistre, De Bonald Donoso Cortez e Jacques Maritain. Na última parte, à luz das partes anteriores, tratamos da obra de Thales de Azevedo. A primeira metade desta seção procura apresentar o projeto epistemólogico de fundamentação de uma """"Sociologia do Catolicismo"""". Isso nos serve para compreender o entrelaçamento entre discurso religioso e discurso """"científico"""". O destaque para a obra de Thales de Azevedo se justifica exatamente porque no ambiente intelectual brasileiro ela representa um documento singular na contemporânea reação católica às críticas de tendências """"iluminista"""" e laicizante. No panorama do """"pensamento brasileiro"""" o antropólogo baiano Thales de Azevedo mereceu um destaque não só pela sua identificação com o catolicismo, como também pelo conjunto de sua obra no campo da Antropologia, da Sociologia e das Ciências Sociais, objetivando não apenas a ciência, mas uma """"concepção geral acerca da vida social e religiosa"""" quando ele buscou, segundo suas próprias palavras, """"uma Filosofia, uma explicação e interpretação do comportamento humano em seu relacionamento social e religioso, bem como no seu modo de ser individual"""". Diante de uma leitura fortemente doutrinária, feita por um cientista social, concentrada no conceito de Religião Civil tornou-se possível estabelecer o confronto da obra de Azevedo com os principais conceitos identificados em Rousseau, onde se busca como ele realiza a leitura de Rousseau e como a sua leitura se identifica com a daqueles que representaram o anti-rousseauismo da contra-revolução. Com esta dissertação pretende-se não só resgatar uma discussão em torno da obra de um dos maiores iluministas, como estabelecer os vínculos do pensamento da reação anti-iluminista com a intelectualidade brasileira que, no nosso entendimento, está ligado, nas raízes, com aquele tipo de movimento ocorrido principalmente, na França e realizar uma análise da temática da religião em Rousseau.
