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Dissertações

A Liberdade como conceito político em Hannah Arendt

Daner Hornich

Dissertação
Autor
Daner Hornich
Orientador(a)
Thais Curi Beaini
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2002
2002Daner Hornich. A Liberdade como conceito político em Hannah Arendt. 2002. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): Thais Curi Beaini.2

Apresenta-se nesta dissertação o tema: A liberdade como conceito político em Hannah Arendt (1906 - 1975). A filósofa e pensadora política, de família judia e intelectualizada, nasceu em Hannover, na Alemanha, em 1906. Foi aluna de Martin Heidegger e Karl Jaspers. Doutorou-se com uma tese sobre o conceito de amor em Agostinho. Em 1941, refugiou-se nos Estados Unidos, país cuja cidadania mais tarde adotou; foi professora na New School for Social Research, Nova York, e publicou, entre outros, Origem do Totalitarismo, A Condição Humana, Entre o Passado e o Futuro e o Homem em Tempos Sombrios. Ao morrer, em 1975, deixou inacabado o ensaio A Vida do Espírito, uma obra que se desdobra nas inter-relações entre as três atividade básicas da vida do espírito: o pensamento, a vontade e o juízo. O seu pensamento foi sendo elaborado a partir do acontecimento central do século passado - a experiência dos governos totalitários. A partir dessa perspectiva, Arendt elaborou com lucidez uma nova abordagem no campo da filosofia política, que se intensificou por meio dos seus estudos políticos nas duas décadas do pós-guerra...A proposta do primeiro capítulo é saber por que Hannah Arendt pensa a liberdade como conceito político - em meio à experiência dos governos totalitários; se a experiência totalitária é fundamental para entender a filosofia política de Hannah Arendt. Aborda-se a experiência totalitária que elimina toda capacidade do homem de falar e agir e, inevitavelmente, o apoio das massas ao regime totalitário; os seus movimentos e a essência do totalitarismo, que rouba a dignidade do homem com sua ideologia e terror: um imaginário do mundo, com perdas pessoais e desastre político; a expulsão do homem da comunidade política, que o retira da humanidade; o caso Dreyfus, um caminho aberto para o totalitarismo, pois subtraíram-lhe o poder de fala e de ação...No segundo capítulo, procura-se focalizar a liberdade como conceito político, como Hannah Arednt pensa a política em suas manifestações de liberdade e de igualdade na busca da decisão articulada dos homens em conjunto. Refletindo-se sobre o sentido da polis em nosso tempo; Zoon Politikon; o discurso e a ação; a compreensão e a política; a bondade e a política convivendo no mesmo espaço e pensamento moral. ..O terceiro capítulo desdobra-se na ruptura do homem com a modernidade, pois o totalitarismo rompeu com todas as categorias utilitárias - legais, morais, lógicas - que poderiam julgar ou analisar o curso do fenômeno totalitário. Abordam-se, assim, as seguintes questões: Por que o homem rompe com a tradição? Qual foi o início e o fim da tradição? Qual o problema da autoridade? Perdemos algum tesouro? Se perdemos, como localizá-lo em meio a tanta destruição?..A conclusão pretende ser uma colaboração e uma abertura para o debate, a reflexão, o questionamento e, particularmente, para a provocação como possibilidade fundadora da ação política permeada pela """"teia de relação"""" democrática, que se configura no espírito público como gesto de resistência a todo sistema totalitário.