- Autor
- FRANCISCO LAWALL
- Orientador(a)
- Dulce Mara Critelli
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
O tema da liberdade é constante na tradição filosófica. Parece haver algo no ser humano que reclama o tempo todo por ela. Porém, os tempos mais recentes da história humana não foram os mais felizes na produção de liberdade. As duas Guerras mundiais e as recentes ameaças de nova guerra têm transformado este tema num sonho longínquo ou num conceito vazio para um expressivo número de pessoas. O tema reclama por experiências concretas de liberdade, experiências de relacionamento humano em que pode ser vivida e percebida. O pensamento político de Arendt, e sua afirmação que a liberdade é o sentido da política, remetem a uma resposta satisfatória, na medida em que procurou resgatar na história humana, experiências em que a liberdade foi efetivamente exercida, e que foram esquecidas pela tradição filosófica ocidental. Trata-se da liberdade, não como livre-arbítrio da vontade, mas vivida na ação. Segue-se a mesma metodologia arendtiana de abordar a liberdade a partir de um modelo que é o totalitarismo, representando a descaracterização extrema da liberdade política. Com base neste modelo, desenvolve-se a justificativa da preferência arendtiana pela experiência política da pólis grega e dos inícios da colonização americana. Tais experiências políticas supõem uma vida pública distinta da vida doméstica. Enquanto que a vida doméstica está voltada à satisfação das necessidades vitais, a vida pública assegura a manifestação individual de cada cidadão e a convivência pacífica, respeitando-se as diferenças de opinião. Finalmente, questiona-se sobre uma possível vivência de tal liberdade nos tempos atuais. O exemplo de política, vivido na pólis grega não pode ser simplesmente transcrito para os tempos atuais, mas é útil para questionar o atual exercício do poder e permite a inserção de novas questões na história do pensamento político.
