- Autor
- Luiz Sperb Lemos
- Orientador(a)
- Luis Felipe Bellintani Ribeiro
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
Ao passo que, em sua primeira fase, Heidegger foca a existência humana como porta de entrada para o ser, em sua segunda fase, procura atingir o ser através da linguagem. Não da linguagem compreendida metafisicamente, como instrumento pelo qual o sujeito refere-se ao objeto, mas daquela linguagem que é a própria “casa do ser”, que não é, portanto, controlada pelo homem, porque ele já precisou habitá-la desde o princípio para poder controlar o que quer que seja. Como os “guardiões” desta casa são os pensadores e os poetas, a expressão “linguagem poética” nomeia algo talvez ainda mais profundo que o projeto de uma ontologia fundamental através de uma analítica existencial. Continua em jogo na reformulação dessa “virada”, de qualquer maneira, a questão do desocultamento do ser. E, como o poetar dos pensadores e poetas é antes um escutar o logos e um “homo-logar”, e o ser, um acontecimento originário, os dois conceitos subjacentes que unificam este trabalho do início ao fim são o de logos (desde seu sentido heraclítico, amplo, até o sentido aristotélico (ou pós-aristotélico), mais restrito à enunciação) e o de acontecimento-apropriador (Ereignis).
