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Dissertações

A Má Fé na Analítica Existencial Sartriana

Jorge Freire Povoas

Dissertação
Autor
Jorge Freire Povoas
Orientador(a)
José Antonio Saja Ramos Neves dos Santos
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2005
2005Jorge Freire Povoas. A Má Fé na Analítica Existencial Sartriana. 2005. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, BA. Orientador(a): José Antonio Saja Ramos Neves dos Santos.2

Presente na obra filosófica sartriana O Ser e o Nada, o conceito de má-fé, não ocorre em dois momentos distintos da realidade humana, mas em um só. Na má-fé não existe a dualidade do enganador e do enganado que estão presentes na mentira. Não há um interlocutor na má-fé para quem a mentira possa ser direcionada. Logo, a má-fé é uma espécie de negação interna, um mentir para si mesmo. Aqui, o enganador conhece tudo que o enganado busca esconder. É a consciência que direciona sua negação para dentro de si mesma. Desta forma, a má-fé não vem de fora da realidade humana. É a consciência que infecta a si mesma de má-fé. Porém, se toda consciência é consciência de alguma coisa, quem age de má-fé tem consciência desse agir, sabendo exatamente o que busca esconder, já que ser consciente é conhecer, é saber o que se sabe. A consciência na visão sartriana é plenamente consciente de si, não havendo inconsciente ou não-consciência que possa justificar as ações humanas. Nesse sentido a má-fé representa uma eterna fuga. Fuga da angústia provocada pelo peso da responsabilidade. É nesse contexto que a má-fé se instaura, quando o homem tenta fugir do que ele não é, em busca do que ele nunca será. Por se configurar como um ser inacabado o para-si jamais será como um ser em-si pleno, conciso em si mesmo, devendo-se isso ao fato de que a consciência esconde em seu ser um permanente risco de má-fé, uma vez que para Sartre ela se revela como um ser que não-é-o-queé. Assim, a consciência é um vazio e por ser consciência de alguma coisa ela nunca será o que busca ser, sendo sempre uma representação. Por conseguinte, é através dessa desagregação da consciência que a má-fé se instaura e se habilita a propiciar alívio imediato, em forma de fuga, para o existir humano.