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Dissertações

A mecânica do desejo no desencadeamento da ação no Leviatã de Thomas Hobbes

Marcos Kayser

Dissertação
Autor
Marcos Kayser
Orientador(a)
Marcelo Fernandes de Aquino
Universidade
UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2006
2006Marcos Kayser. A mecânica do desejo no desencadeamento da ação no Leviatã de Thomas Hobbes. 2006. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS, RS. Orientador(a): Marcelo Fernandes de Aquino.2

Neste trabalho analisaremos o conceito de desejo e seu desdobramento na teoria de Thomas Hobbes, identificando-o como um elemento fundamental na constituição do corpo, a partir da antropologia, ou psicologia empírica, desenvolvida por Hobbes, subvertendo a ordem tradicional do universo ético e político. Desejo que aparece como uma força, um impulso que dá movimento a vida, sinônimo de felicidade, mas que, por sua desmedida insaciabilidade, coloca o homem sob risco da morte prematura e violenta. Estado de conflito, representado pelo estado de natureza hobbesiano, no qual o homem, num contexto hipotético de pura igualdade, ataca por desejo, seja para obter mais e mais poder, seja para não perder o que possui. Por trás do medo da morte, há o medo da perda do objeto mais cobiçado, ou seja, a vida. Mas apesar do homem espreitar o inimigo e aparentar irracionalidade, é capaz do consenso, quando faz uso da razão, com a qual se somam vontade e eloqüência. O consenso é o pacto, que cria as condições de possibilidade para a instituição do Estado absoluto, poder que concentra o poder de todos os outros homens para garantir paz e prosperidade, interesse comum a todos os indivíduos. Como condição para o Estado cumprir com a sua tarefa está a necessidade de impor limites ao desejo insaciável do indivíduo. O Leviatã, corpo artificial criado pelo homem, engenha então uma mecânica de controle para, através do medo da punição e da promessa da recompensa, orientar a ação humana no sentido de conter o desejo sem suprimi-lo. Tentativa de manter acesas as chamas do desejo no homem evitando, ao mesmo tempo, que elas o consumam. Um paradoxo a ser superado já que o desejo que move o homem é o mesmo desejo que precisa ser freado e contido. Hobbes propõe uma política para forçar uma ética do dever, pois o homem, na sua concepção, antes de um ser do dever, é um ser do desejo.