A moral kantiana como fio condutor da articulação do sistema Kantiano
Noé Martins de Sousa
- Autor
- Noé Martins de Sousa
- Orientador(a)
- Regenaldo Rodrigues da Costa
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ — UECE
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
RESUMO.. Esta dissertação tem por finalidade fazer uma reflexão sobre a filosofia moral do filósofo alemão Immanuel Kant, em sua fase madura, isto é, em sua fase crítica. Partimos da posição de que toda a filosofia kantiana se constitui num grandioso sistema ético. É uma visão moral do homem e do mundo. Sua filosofia teórica é apenas o primeiro passo na direção dessa visão ética da totalidade. O cerne de sua filosofia é a divisão da realidade em mundo inteligível e mundo sensível, sendo o primeiro causa deste último. No mundo inteligível se fundamenta a moral e no mundo sensível se fundamenta a ciência. A sua teoria da ciência ou epistemologia acha-se expressa especialmente na Crítica da razão pura. Como esta encontra-se relacionada, mesmo de modo indireto, com o mundo da moral – mundo da prática – tivemos que fazer uma exposição da filosofia teórica de Kant, para servir de embasamento para a compreensão do seu pensamento ético. Após a exposição do conteúdo da razão pura teórica, fizemos uma análise e exposição da obra kantiana, Fundamentação da metafísica dos costumes e, em seguida, a complementamos com uma síntese do conteúdo da Crítica da razão prática. Nestas duas obras está a essência do pensamento moral de Kant, que parte da Lei moral – o Imperativo Categórico – para chegar à finalidade do homem – que é a prática da virtude, a fim de ser ele merecedor da felicidade. Mas como a felicidade perfeita não pode ser alcançada neste mundo, mas apenas num mundo transcendente, Kant postula, fundamenta na moral, a existência de Deus e a imortalidade da alma. Com isto, o homem que praticar a virtude, poderá alcançar o reino de Deus aqui na terra e ainda a imortalidade e felicidade, após a morte. Isto implica na superação do dualismo entre o mundo inteligível e o mundo sensível, numa totalidade e unidade final. O método que empregamos na elaboração do nosso trabalho foi a pesquisa bibliográfica das obras mais representativas do pensamento kantiano, procurando respostas para as perguntas que o próprio Kant propôs responder: que é possível saber? E podendo saber, que é possível fazer? E fazendo, que é possível esperar? Respondendo a esta última pergunta, Kant define o destino final do homem, desembocando na Religião, a qual se fundamenta na ética. É no mundo transcendente que o ser humano realiza o seu fim-término, o seu destino final: o casamento da virtude com a felicidade.
