A Narrativa Confessional de Rousseau: Uma Interpretação do Leitor da Posteridade
Luciano da Silva Façanha
- Autor
- Luciano da Silva Façanha
- Orientador(a)
- Maria Constança Peres Pissarra
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
O objetivo desta dissertação limita-se a interpretação das Confissões de Jean-Jacques Rousseau por um leitor da posteridade. Esta reflexão inicia-se com a própria investigação do surgimento da literatura confessional no ocidente. O texto autobiográfico - As Confissões -, surgiu no século XVIII, mas o vocábulo """"autobiografia"""" somente aparece na França, no século XIX, sendo adotado a partir deste momento, com o sentido que mantém até hoje. Mesmo o termo ainda não existindo no período desta obra de Rousseau, os teóricos afirmam e insistem em dizer que As Confissões, do nosso autor, inauguram o gênero, pois compõe requisitos e características suficientes para considerá-la uma autobiografia em todas as suas nuanças. Destaca-se a principal característica que é a relação concebida entre o autor e o leitor, que o teórico Philippe Lejeune nomeia de """"Pacto Autobiográfico entre autor-leitor"""", requisito fundador da autobiografia, cujo filósofo Rousseau estabelece desde o início de sua obra como aspecto principal para um bom entendimento. Analisa-se, também, a existência da autobiografia de cunho filosófico. O fato desta prática """"contar de si"""", vir sendo bastante utilizada pelos filósofos, tendo como característica marcante, enfatizar a descoberta de si mesmo, ou seja, a autobiografia se aproxima do """"conhece-te a ti mesmo"""" de Sócrates. Portanto, toda autobiografia é, pois, inerentemente filosófica, desde que se pressupõe que o eu tornou-se um problema para si próprio. Contextualiza-se o surgimento das Confissões na vida de Rousseau e, principalmente, a sua intenção em realizar uma empresa com uma linguagem do sentimento. Por último, pontua-se as questões que se considera mais relevantes nas Confissões, percorrendo todos os doze livros que estão divididos em duas partes. Dessa forma, optou-se por fazer uma divisão de acordo com a interpretação sugerida pelo próprio autor, ou seja, conforme a sua narrativa literária é relatada. Por isso, conta-se, relata-se, descreve-se tudo o que Jean-Jacques já nos revelou ou desvelou, porém, a partir de nossa interpretação, qual seja, diante a narrativa confessional do cidadão de Genebra, porém, interpretada por um leitor da posteridade, um leitor do futuro.
