- Autor
- JOSÉ RENATO DE ARAÚJO SOUSA
- Orientador(a)
- Alcides Hector Rodrigues Benoit
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
Um dos temas mais famosos discutidos pela filosofia platônica, na sua forma dialógica, é o tema da poesia. Ainda hoje, comentadores têm dedicado especial atenção à teoria poética de Platão. Seu rigor para analisar a forma do conteúdo poético, sua teoria da mímesis, sua ameaça de expulsar a poesia, etc., são motivos que prendem o leitor de A República, principalmente quando ele percebe que aquilo que mais Platão condena - o colorido da poesia, suas figuras de linguagem, sua ficção etc., estar presente ali dentro do diálogo, fazendo parte daquelas belas mentiras, os mitos. Mas o que aparece assim, como contradição nessa teoria, é o que denuncia as aproximações de dois discursos advindos das Musas, que convivem de modo nem sempre hostil nos diaálogos de Platão. Uma ele chamou de Musa aduladora, para se referir a Musa que inspira os poetas. A outra é a Musa da Filosofia, que remonta a Parmênides, quando lhe ensinou a se desviar do caminho ilusório dos sensíveis, para adentrar na morada da verdade e da justiça. Em A República, Platão parece querer separar essas duas Musas, mostrando assim que elas habitam casas diferentes, e que o homem deve se tornar consciente de suas diferenças para poder escolher que caminho vai seguir: o de Parmênides ou o de Homero.
